Milei recua, suspende decreto que desregulava a praticagem e encerra paralisação que travou os portos argentinos
Governo argentino aceitou suspender o Decreto 690/2026 e negociou redução de 20% nas tarifas do serviço; escoamento de grãos pela hidrovia do Paraná estava parado desde 1º de agosto
O governo de Javier Milei suspendeu nesta terça-feira (4) o Decreto 690/2026, que desregulamentava o serviço de praticagem, e fechou acordo com os profissionais do setor para encerrar a paralisação que havia travado a entrada e a saída de navios nos portos da Argentina.
Publicado no Boletín Oficial em 31 de julho e impulsionado pelo ministro da Desregulamentação, Federico Sturzenegger, o decreto revogou o regulamento que regia a atividade desde 1991. Entre outros pontos, permitia dispensar a contratação de práticos para comandantes estrangeiros experientes, ampliava o porte das embarcações liberadas da assistência obrigatória e autorizava a Prefeitura Naval a prestar o serviço. Os práticos pararam no sábado seguinte à publicação, e o bloqueio atingiu terminais do Gran Rosario, San Lorenzo, Timbúes, Bahía Blanca e Dock Sud — corredor por onde escoa a maior parte do comércio exterior argentino. A Reuters registrou mais de 45 embarcações afetadas; a imprensa argentina falava em mais de 140 navios parados.
Pelo acordo, oficializado pelo Decreto 716/2026 — assinado por Milei, pelo chefe de Gabinete, Diego Santilli, e pelos ministros Alejandra Monteoliva e Federico Sturzenegger —, o decreto anterior fica suspenso em caráter temporário, as tarifas de praticagem caem 20% e é instalada uma mesa de trabalho com o setor e os órgãos com competência na atividade para rediscutir aspectos tarifários, operacionais e de segurança. A Argentina é a maior exportadora mundial de farelo e óleo de soja.
Fontes: La Nación, Infobae, Perfil e El Cronista.