Na ONU, Milei chama a organização de "inútil" e diz que a Argentina não vai esperar para agir sobre as Malvinas
Presidente argentino acusa a ONU de alimentar uma "casta de parasitas", chama de "genocídio" o efeito dos lockdowns da pandemia e reafirma alinhamento com Estados Unidos e Israel
O presidente da Argentina, Javier Milei, usou o discurso na 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta quarta-feira (23), em Nova York, para dizer que a ONU "se converteu em uma organização inútil que só serve para alimentar uma casta de parasitas, fatalmente arrogantes, disfarçados de burocratas bem-intencionados".
Milei acusou a organização de ter votado sistematicamente contra Israel enquanto silenciava diante do terrorismo islâmico e da perseguição a cristãos na África, e de “olhar para o outro lado” na questão das Ilhas Malvinas, Geórgias do Sul e Sandwich do Sul. “Malvinas é para nós uma causa nacional”, repetiu. Ao convidar o setor energético a investir em Vaca Muerta, avisou que o país não será indiferente a quem explorar recursos “sob ocupação externa ilegal” e que “a Argentina não vai se sentar para esperar que a ONU e a comunidade internacional estejam à altura do próprio mandato”.
Pediu ainda ao Reino Unido que retome as negociações sobre a soberania do arquipélago.
O argentino também atacou a gestão da pandemia pelos organismos ligados à ONU: disse que as políticas de confinamento forçado destruíram empregos e a educação de uma geração e que, quando um Estado tira da população o direito de trabalhar e isso se traduz em “milhões de mortes evitáveis”, “há uma palavra para nomear isso: genocídio” — motivo pelo qual, afirmou, a Argentina deixou a OMS.
Milei declarou que o país se alinhou “sem ambiguidades” ao Ocidente, com os Estados Unidos e Israel, repudiou os ataques do regime iraniano e lembrou que o governo classificou a Guarda Revolucionária do Irã como organização terrorista. A íntegra do discurso está publicada pela Casa Rosada.