O caos das listas literárias
Quando a tradição portuguesa vira norte-americana num clique
Um blog promete as 20 obras mais importantes da literatura dos Estados Unidos, mas entrega clássicos portugueses. Na internet, as coisas acontecem assim: rápido, confuso e sem aviso prévio.
Existe um momento em toda lista literária — aquele quando você percebe que alguém dormiu no botão de publicar. A página promete essencialmente sobre os EUA, mas abre falando de Gil Vicente, Camões e Padre António Vieira. Não há transição. Não há aviso. De repente você está lendo sobre Eça de Queirós enquanto esperava por Faulkner ou Fitzgerald.
O engenheiro Alexandre Kovacs, que escreve no Mundo de K sobre seus livros e suas leituras acumuladas, parece ter misturado dois drafts diferentes — ou talvez tenha apenas descoberto que português e americano cabem na mesma prateleira quando ninguém está olhando. A ironia está no detalhe: a página fala de "20 clássicos" como tradição, mas não consegue nem manter a coerência de qual literatura está discutindo.
O problema não é ter opinião sobre Saramago ou António Lobo Antunes. O problema é prometer uma coisa e entregar outra, deixando o leitor com aquela sensação de desconforto — como quem entra em uma porta esperando um lugar e encontra outro completamente diferente. Na internet, isso acontece. Rápido. Ninguém reclama muito. Vida que segue.
Com informações de www.mundodek.com (fonte no link).