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Coluna de Opinião

Quando a Recusa Gera Obra-Prima

O Som e a Fúria nasceu do isolamento de Faulkner

Cora Sampaio ·1 min

Um escritor rejeitado três vezes. Um estilo ousado que ninguém pediu. Assim nasceu um romance que mudaria a literatura.

William Faulkner tinha uma história simples de fracasso. Seu terceiro romance foi recusado por diversas editoras. Nada de excepcional nisso — escritor rejeitado é quase um clichê. Mas o que aconteceu depois é o que importa: abalado, ele não desistiu. Investiu num estilo que poucos compreenderiam de primeira leitura: quatro vozes narrativas distintas, saltos inesperados no tempo, uma família aristocrática do sul dos EUA em plena decadência.

Em 1929, O Som e a Fúria chegou aos leitores tecido com tons bíblicos e ecos de tragédias gregas. A história dos Compson parecia viver num presente desnorteante, bruto, sem repouso. Ninguém sabia se era genialidade ou apenas confusão. Alguns criticaram. Outros sentiram que estavam diante de algo diferente.

Vinte anos depois, em 1949, Faulkner recebeu o prêmio Nobel de Literatura. O romance que nasceu de três rejeições tornou-se considerado sua obra mais importante. Há uma lógica silenciosa nisso: às vezes, a recusa não encerra a história. Às vezes, ela só muda de direção.

Com informações de resenhasalacarte.com.br (https://resenhasalacarte.com.br/listas/100-livros-essenciais-literatura-mundial).

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