Rússia acusa o fundador do Telegram de cumplicidade com terrorismo e o coloca em lista de procurados
FSB afirma que a plataforma não removeu canais, chats e bots usados para recrutar russos; agência diz ter prendido 46 usuários de um chatbot, com idades entre 12 e 22 anos, desde julho de 2025
O Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) anunciou nesta quarta-feira (29) que Pavel Durov, fundador do Telegram, foi acusado de cumplicidade com terrorismo e incluído em uma lista internacional de procurados. Segundo a agência, a plataforma deixou de remover canais, chats e bots usados por serviços de inteligência ucranianos e grupos extremistas para coordenar ações dentro do território russo.
Segundo o FSB, um bot de encontros hospedado no Telegram, o Dayvinchik, foi usado para atrair e recrutar russos para atividades de sabotagem e terrorismo: em um ano, ao menos 46 cidadãos com idades entre 12 e 22 anos teriam sido aliciados por esse canal, afirma a agência. A acusação de auxílio a atividades terroristas prevê pena máxima de 15 anos de prisão. A conta oficial do Telegram no X respondeu ao anúncio com uma fotografia de Durov fazendo um gesto obsceno, sem nota formal.
Durov nasceu na Rússia, tem passaportes dos Emirados Árabes Unidos e da França e fundou o Telegram em 2013. Antes disso, criou a rede VKontakte e vendeu sua participação em 2014, sob pressão das autoridades russas. As acusações ocorrem enquanto Moscou restringe o Telegram e o WhatsApp e promove o aplicativo estatal MAX, que não tem criptografia de ponta a ponta e compartilha dados de usuários com as autoridades. Durov também responde a uma investigação na França por moderação insuficiente, o que ele nega.
Fontes: Al Jazeera, The Moscow Times e comunicado do FSB.