Rússia e China vetam na ONU a renovação do painel que fiscaliza as sanções contra o Irã
Proposta americana teve 11 votos a favor no Conselho de Segurança; sem o grupo de especialistas, ninguém mais reporta de forma independente as violações do embargo nuclear e de armas
Rússia e China usaram o poder de veto nesta quinta-feira (17), no Conselho de Segurança das Nações Unidas, para barrar uma resolução dos Estados Unidos que estenderia por mais um ano o mandato do Painel de Especialistas do Comitê 1737, responsável por investigar e relatar violações das sanções da ONU contra o Irã.
O texto recebeu 11 votos favoráveis entre os 15 membros; Paquistão e Somália se abstiveram. O mandato do painel termina no fim de setembro. Moscou e Pequim não reconhecem a volta das sanções, restabelecidas em setembro de 2025 depois que França, Alemanha e Reino Unido acionaram o mecanismo de “snapback” do acordo nuclear de 2015 — e já vinham bloqueando neste ano a nomeação dos especialistas. O embaixador russo, Vassily Nebenzia, voltou a chamar a reimposição de ilegal e disse que a resolução “não tinha base legal”.
Na explicação de voto, a missão americana afirmou que o painel “teria lançado luz sobre a cooperação de defesa proibida” entre o Irã e seus parceiros e acusou os países que vetaram de tentar sufocar relatórios que os implicam. “Sem um painel independente, este Conselho perde sua principal fonte de informação imparcial e baseada em evidências sobre violações de sanções — uma lacuna que só beneficia o regime iraniano”, disse a representante Jennifer Locetta, prometendo insistir na recriação do grupo.
O veto ocorre uma semana depois de a Agência Internacional de Energia Atômica devolver o caso iraniano ao Conselho por causa de partículas de urânio em locais não declarados.
Fontes: Gazeta do Povo · Euronews · RTP · O Povo