Paraná · 7 de agosto de 2026
Curitiba 16°C Londrina 17°C Maringá 17°C Cascavel 16°C Foz do Iguaçu 18°C
Voz Conectada
Voltar
BR Política ·
Coluna de Opinião

Senado aprova urgência e avança na votação do marco temporal

Governo evita confronto direto e aposta em veto presidencial para ajustar projeto

Otávio Bittencourt ·2 min
Senado aprova urgência e avança na votação do marco temporal
Foto: bnews.com.br

O Senado acelerou a tramitação do projeto sobre marco temporal indígena nesta quarta-feira. A aprovação da urgência, com 41 votos a 20, sinaliza apoio para votação no plenário ainda hoje — movimento que responde à decisão recente do STF sobre o tema e revela estratégia do governo para contornar divi

O contexto: O Senado trabalha sob pressão de múltiplas discussões no STF — marco temporal, aborto, drogas e imposto sindical. Neste cenário, senadores contrários ao projeto reconheciam ser difícil barrar sua aprovação. A CCJ já havia votado favoravelmente (16 votos a 10), e a urgência foi aprovada com margem confortável.

O que significa: O líder do governo no Senado, Jaques Wagner, admitiu que o debate ficou "muito ideologizado" e recusou arriscar o resultado em plenário. Essa postura reflete um cálculo político claro: o governo não quer confronto frontal sobre o tema, preferindo deixar a decisão final para Lula via veto. O relator, Marcos Rogério, manteve o texto da Câmara intacto e sugeriu que pontos polêmicos — como contato com povos isolados — sejam removidos pelo presidente.

O impasse fiscal: Wagner levantou questão prática grave: não há "dinheiro suficiente" para indenizar produtores que compraram terras indígenas regularmente, caso a lei seja sancionada integralmente. Isso pode gerar avalanche de precatórios e agravar a crise fiscal — argumento que contradiz a narrativa de solução do governo.

A estratégia: Reservadamente, aliados de Lula afirmam que o presidente deve "enxugar" o projeto vetando os chamados "jabutis" (artigos sem relação com o tema) e preservando apenas o marco temporal. É um jogo de três tempos: Senado aprova, Câmara não precisa revotar, Lula ajusta via caneta. Funciona se o presidente tiver espaço político para tanto.

O risco: A manobra deixa explícito que o Senado não quer responsabilidade pelas consequências. E Jaques Wagner acabou admitindo o verdadeiro problema: não há solução clara para os custos envolvidos. Votação acelerada não resolve impasse constitucional ou fiscal.

Com informações de www.bnews.com.br.

Relacionados