Terremoto de magnitude 7,1 atinge Kumamoto no Japão; saldo sobe para 18 mortos
Tremor a 10 km de profundidade atingiu Kyushu na tarde de terça; o segundo andar de um shopping desabou em Kashima, uma chaminé caiu em fábrica de papel em Yatsushiro e 260 mil pessoas foram orientadas a ir a abrigos
Cobertura ao vivo em Kumamoto. Vídeo: Associated Press, via YouTube
Um terremoto de magnitude 7,1 atingiu a região de Kumamoto, na ilha de Kyushu, sul do Japão, na tarde de terça-feira (28). O balanço divulgado nesta quarta-feira (29) chegou a 18 mortos e 62 feridos, seis deles em estado grave, e as equipes de resgate seguem procurando pessoas presas nos escombros. Segundo a Agência Meteorológica do Japão (JMA), o tremor teve 10 quilômetros de profundidade.
O epicentro foi localizado a 20 quilômetros ao sul da cidade de Kumamoto, que tem cerca de 700 mil habitantes. Soldados e equipes de resgate seguem procurando pessoas presas em um shopping center severamente danificado e em casas que desabaram.
O shopping Aeon Mall, em Kashima, foi um dos locais mais atingidos: o segundo andar do prédio caiu e deixou pessoas presas, e houve uma explosão de gás em outra parte do centro comercial. Cerca de 3 mil clientes tinham sido evacuados para o estacionamento antes da explosão. Quatro mortes foram confirmadas no shopping e três pessoas continuam desaparecidas, segundo o presidente da Aeon, Akio Yoshida.
Em Yatsushiro, a queda de uma chaminé em uma fábrica da Nippon Paper Industries matou cinco pessoas. Sete foram retiradas dos escombros e quatro ainda eram procuradas no local, segundo a equipe de desastres do governo da província de Kumamoto. Um estagiário técnico vietnamita morreu ao ser atingido pela queda de um guindaste na fábrica onde trabalhava; ele havia chegado ao Japão em janeiro. Outros sete estagiários vietnamitas da mesma unidade saíram em segurança, e uma mulher vietnamita casada com um dos trabalhadores foi ferida pelo desabamento de uma parede.
Cerca de 34,9 mil casas seguiam sem eletricidade e aproximadamente 15 mil sem água encanada, segundo autoridades de Kumamoto. Mais de 8,8 mil pessoas deixaram suas casas e estão em mais de 400 abrigos, onde foram instaladas fontes de energia para ligar o ar-condicionado. As autoridades orientaram cerca de 260 mil pessoas a ir para centros de evacuação. Um hospital em Uki, perto do epicentro, informou que não conseguia funcionar por causa da falta de energia, e outro na mesma cidade suspendeu internações após receber 86 feridos, três deles em estado grave.
"Há pessoas que ainda aguardam resgate, e é uma corrida contra o tempo", disse a primeira-ministra Sanae Takaichi, que pediu atenção ao calor nas áreas sem energia. "Faremos o máximo para encontrar e resgatar o maior número de pessoas que pudermos." Centenas de soldados foram enviados para as operações de resgate.
Rodovias principais ficaram com grandes rachaduras, o que causou congestionamentos na noite de terça-feira. As autoridades alertaram os moradores das áreas mais atingidas para o risco de tremores secundários fortes na semana seguinte e de deslizamentos. Um terremoto em Kumamoto há dez anos matou 275 pessoas, feriu 2.739 e danificou milhares de edifícios, entre eles os muros do castelo da cidade. Partes dessas mesmas muralhas de pedra, ainda em reparo desde 2016, desabaram no tremor de terça-feira.
Fontes: Al Jazeera, Terra e O Tempo.