Atitudes inexplicáveis: por que algumas atitudes parecem não ter explicação?
No Brasil de hoje, defender o óbvio virou tarefa diária — sobretudo em ano eleitoral.
No Brasil de hoje, defender o óbvio virou tarefa diária — sobretudo em ano eleitoral.
Na última terça-feira (12), o presidente Lula chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) caminhando lado a lado com Janja e a presidente do STF, Cármen Lúcia. O momento ocorreu durante a cerimônia oficial de posse na presidência e vice-presidência da Corte.
A cena gerou repercussões no cenário político: enquanto aliados encararam o gesto como um sinal de civilidade institucional, figuras da oposição e críticos utilizaram as imagens para questionar a proximidade entre os Poderes.
A análise de certas condutas desafia a lógica e os parâmetros racionais que orientam a ética e o bom senso. Vivemos em um mundo onde algumas pessoas parecem desprovidas de condutas que tenham explicação óbvia. Frequentemente nos deparamos com situações em que o comportamento de certas autoridades foge ao padrão esperado, gerando desconfiança e, por vezes, perplexidade.
Porém, nem sempre há explicação óbvia, até porque o óbvio é aquilo que não necessita de comprovação: é evidente e, portanto, não precisa passar pelo filtro da dúvida; por si só se explica. A explicação se encontra em seu próprio sentido, sendo facilmente absorvível por quem o enxerga.
No Brasil de hoje, o óbvio precisa ser defendido, pois todos os dias tentam nos convencer de que uma mentira é uma verdade e de que o absurdo é normal. O oposto do óbvio é justamente o absurdo, que desafia a lógica e a razão e gera uma desconexão com aquilo que se considera evidente.
Quando os poderosos punem de forma exagerada, é para convencer os atemorizados de que o melhor cidadão é o passivo, aquele que se mantém quieto, pagando seus impostos, fazendo o seu trabalho e votando convenientemente naqueles que o enganam com palavras bonitas e mentirosas.
Estamos em ano eleitoral; é necessário resgatar o óbvio. O voto pode contribuir para que as pessoas se libertem da manipulação. Dentro desse contexto, comove-me em especial a nossa Constituição, que estabelece que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. É claro e evidente: ninguém é diferente do outro por causa da cor da pele, da raça ou de qualquer outro atributo.
O colunista encerra evocando a canção “Eu Só Peço a Deus” (“Sólo le pido a Dios”), do argentino León Gieco, composta em 1978 e imortalizada na voz de Mercedes Sosa — um hino de resistência que pede que a guerra, a mentira e a injustiça nunca nos sejam indiferentes.
Coluna publicada originalmente em Correio de Notícia. Os textos de opinião são de responsabilidade do autor.