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Opinião
As Cataratas argentinas bateram recorde, mas Iguazú continua perdendo o turista que mais paga
Por Sergio Romero
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O lado argentino das Cataratas registrou 168 mil visitantes no último verão — um recorde histórico. Em Buenos Aires, a Secretaria de Turismo publicou comunicado oficial celebrando o feito. Em Puerto Iguazú, a notícia foi recebida com palmas mornas. Hoteleiros, restauradores e operadores de turismo sabem o que esse número esconde: a maioria desses 168 mil turistas dormiu em Foz do Iguaçu.
Foz se profissionalizou nos últimos 15 anos. Construiu hotéis 5 estrelas, restaurantes de alta gastronomia, atrações noturnas como o Parque das Aves expandido e o circuito da Itaipu iluminado. O turista internacional que chega em Iguazú via voo direto não tem por que dormir do lado argentino — atravessa para Foz pela manhã, visita as Cataratas argentinas no meio do dia, volta para Foz à tarde, e jantar e dorme lá. Argentina vê o turista. Brasil leva o dinheiro.
Os números são públicos e desconcertantes. O ticket médio em Puerto Iguazú gira em US$ 85 por turista por dia. Em Foz, US$ 210. A permanência média em Iguazú é 1,2 noites. Em Foz, 2,8. Estamos competindo no campo errado: pelo número de entradas no parque. Deveríamos estar competindo pelo tempo de permanência na cidade.
A receita não é nova: hotéis-boutique, gastronomia de identidade misionera, programação cultural noturna, e um eixo de transporte público entre o aeroporto, o centro e o parque. Posadas tem; Mendoza tem; El Calafate tem. Puerto Iguazú ainda não tem. Enquanto isso, o turismo argentino subsidia a economia brasileira.
O Ministério de Turismo argentino precisa parar de comemorar o número da bilheteria e começar a olhar o cadastro hoteleiro. Lá é que está a foto real da nossa economia turística. E é uma foto, hoje, que dá vergonha.