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Por que Foz do Iguaçu precisa parar de tratar a Ponte da Amizade como problema só dela

Por Eduardo Lacerda · · 4 min de leitura
Por que Foz do Iguaçu precisa parar de tratar a Ponte da Amizade como problema só dela
A Ponte da Amizade tem 60 anos e foi construída para suportar um quinto do tráfego que ela carrega hoje. Todos os anos, a Prefeitura de Foz pede ao governo federal a duplicação. Todos os anos, ouve a mesma resposta: o projeto está em fase de estudos. O problema não é técnico. O projeto da segunda ponte está pronto desde 2014. O problema é político — e ele não vai se resolver enquanto Foz tratar a ponte como uma demanda municipal. A travessia diária entre Brasil e Paraguai movimenta entre 35 e 40 mil pessoas por dia. Esse volume não é problema de Foz. É problema do Mercosul. E só será resolvido quando alguém botar a mão no orçamento dos três países. A proposta que circula nos bastidores há anos é a criação de uma agência trinacional, com sede em Foz, mandato fixo e financiamento partilhado por Brasil, Paraguai e Argentina. Itaipu já tem essa lógica — uma empresa binacional que sobrevive a mudanças de governo dos dois lados. Por que não replicar o modelo para a infraestrutura de fronteira? Brasília só vai se mexer se Foz parar de pedir e começar a propor. A diferença é grande. Pedir transforma a cidade em parte do problema. Propor a transforma em parte da solução. Enquanto o prefeito de plantão sentar na cadeira da Esplanada como suplicante, vai continuar saindo de lá com a mesma resposta evasiva. O texto desta agência trinacional pode ser escrito aqui. Pode ser escrito pela Câmara de Foz, pela Itaipu, pelo Ministério Público Federal — basta que alguém comece. E o momento é agora: o governo paraguaio está aberto, o argentino está enfraquecido, e o brasileiro precisa de pauta positiva no Mercosul. A janela política está aberta. A pergunta é se alguém em Foz vai entrar por ela.