Ata revela Fed dividido: três diretores queriam subir os juros dos EUA em julho
Documento divulgado nesta quarta mostra que o comitê manteve a taxa em 3,50%–3,75% por nove votos a três, com Hammack, Kashkari e Logan defendendo alta de 0,25 ponto diante da inflação acima da meta
A ata da reunião de 28 e 29 de julho do Federal Reserve, publicada nesta quarta-feira (19), mostrou um comitê rachado: nove membros votaram por manter a taxa básica americana entre 3,50% e 3,75% ao ano, enquanto três preferiam elevá-la em 0,25 ponto percentual.
O documento oficial do Federal Open Market Committee registra que nove integrantes concordaram em manter a faixa-alvo dos fed funds entre 3,50% e 3,75% ao ano, e que Beth M. Hammack, Neel Kashkari e Lorie K. Logan votaram vencidos por preferirem elevar a taxa em um quarto de ponto percentual já naquela reunião. É uma dissidência tripla — e, o que pesa mais, uma dissidência pelo lado do aperto, não do afrouxamento, num momento em que a inflação americana segue acima da meta de 2%.
O sinal importa para o Brasil. Juro americano mais alto por mais tempo encarece o dólar, drena capital de emergentes e limita a margem do Banco Central para cortar a Selic, hoje em 14% ao ano. Ao mostrar que parte do colegiado já vota por alta, a ata desloca o debate: a discussão em Washington deixou de ser apenas sobre quando cortar e passou a incluir a hipótese de subir. Investidores reagiram reprecificando a curva americana — movimento que, dias antes, já vinha castigando os títulos longos do Tesouro dos EUA.