Conta de luz segue com bandeira amarela em setembro, o quinto mês seguido de cobrança extra
A Aneel manteve o adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos e atribuiu a decisão ao período seco, ao nível baixo dos reservatórios e ao acionamento de termelétricas, que geram energia mais cara
A Agência Nacional de Energia Elétrica confirmou que a bandeira tarifária de setembro será novamente a amarela, o que mantém pelo quinto mês consecutivo o acréscimo de R$ 1,885 na conta de luz a cada 100 quilowatts-hora consumidos pelo brasileiro.
Em comunicado divulgado na sexta-feira (28), a agência atribuiu a manutenção da cobrança às condições menos favoráveis de geração: o país está no período seco, o que reduz a produção das hidrelétricas por causa do nível mais baixo dos reservatórios e obriga o acionamento de usinas termelétricas, cuja energia custa mais caro. O sistema de bandeiras, criado pela Aneel em 2015, funciona como um termômetro do custo variável da geração no Sistema Interligado Nacional e repassa esse custo direto ao consumidor residencial, comercial e industrial no mês seguinte.
Na prática, quem consome 200 kWh por mês — perfil comum de uma residência de porte médio — paga cerca de R$ 3,77 a mais só de bandeira, valor que se soma aos tributos e aos encargos setoriais já embutidos na tarifa. A sequência de cinco meses de bandeira amarela mostra que o alívio prometido para a conta de luz não chegou, e reacende a discussão sobre o peso dos subsídios cruzados e dos encargos que o consumidor cativo banca no sistema elétrico — despesa que cresce independentemente do preço da energia gerada.