Correios fecham o semestre com prejuízo de R$ 5,55 bilhões e patrimônio líquido negativo de R$ 19,9 bilhões
Balanço do 2º trimestre publicado pela estatal mostra rombo 30,4% maior que o de 2025; a continuidade da empresa se apoia em R$ 12 bilhões de crédito já contratado, outros R$ 7 bilhões em estruturação e um aporte de R$ 6 bilhões da União
Os Correios registraram prejuízo líquido de R$ 5,551 bilhões no primeiro semestre de 2026, contra R$ 4,259 bilhões no mesmo período de 2025 — alta de 30,4%. Os números constam das Demonstrações Contábeis Intermediárias do 2º trimestre publicadas pela própria estatal em seu portal de acesso à informação.
No 2º trimestre isolado, o prejuízo foi de R$ 2,389 bilhões, ligeiramente menor que os R$ 2,529 bilhões de um ano antes. O que piorou foi o conjunto do semestre: a receita líquida caiu de R$ 8,186 bilhões para R$ 7,865 bilhões, enquanto as despesas gerais e administrativas subiram de R$ 3,302 bilhões para R$ 3,796 bilhões e as despesas financeiras saltaram de R$ 673 milhões para R$ 1,760 bilhão — reflexo direto do endividamento contraído para tapar o caixa. Em 30 de junho, o patrimônio líquido estava negativo em R$ 19,910 bilhões, ante R$ 14,414 bilhões negativos em dezembro de 2025.
O próprio balanço explicita de que a empresa depende para seguir operando: os R$ 12 bilhões de operação de crédito já contratada, uma segunda operação de aproximadamente R$ 7 bilhões ainda em estruturação com garantia da União e o compromisso do acionista controlador — o governo federal — de aportar R$ 6 bilhões de capital até o fim de 2027, valor já incorporado ao Programa de Dispêndios Globais da estatal.
Com esse conjunto, a administração conclui que é apropriado manter o pressuposto de continuidade operacional e afirma não haver incerteza relevante sobre a capacidade de a empresa continuar funcionando. Traduzindo: sem dinheiro do contribuinte, o balanço não fecha.
Fonte: Correios — Demonstrações Contábeis do 2º trimestre de 2026.