Bolívia emite mandado de prisão contra Evo Morales por alzamiento armado e terrorismo
Ordem foi expedida pela Fiscalía em 29 de julho e imputa ao ex-presidente seis crimes ligados aos bloqueios de estradas de maio e junho; Morales fala em perseguição política
Um tribunal da Bolívia emitiu mandado de prisão contra o ex-presidente Evo Morales, investigado por alzamiento armado contra a segurança e soberania do Estado, terrorismo e ataques à segurança dos meios de transporte.
A promotoria do distrito de Santa Cruz disse que Morales é investigado por "alzamiento armado contra a segurança e soberania do Estado, terrorismo e ataques à segurança dos meios de transporte". Morales apoiou os protestos de junho de agricultores e caminhoneiros contra a crise econômica, o aumento do custo de vida e os planos de austeridade do presidente conservador Rodrigo Paz.
"Não nos intimidarão", respondeu ele às acusações em publicação no X. Morales disse que o governo estava indo atrás dele "para encobrir o verdadeiro drama que a Bolívia vive: uma profunda crise econômica e social... um modelo que abandonou o povo e protege a corrupção".
Primeiro presidente indígena da Bolívia, Morales saiu da pobreza e cumpriu três mandatos, tornando-se um dos governantes que mais tempo passaram no cargo na América Latina. Governou de 2006 até a saída conturbada em 2019, quando foi forçado a renunciar após eleições marcadas por acusações de fraude.
Ele se recusou inicialmente a deixar o poder, mas acabou tendo de sair — o que lançou uma sombra sobre quase 14 anos de crescimento econômico e redução da pobreza misturados a acusações de autoritarismo. Foi para o exílio no México e depois na Argentina, e voltou um ano mais tarde, depois que seu aliado Luis Arce venceu a eleição presidencial.
No fim de 2024 surgiram contra ele acusações de tráfico de menor e de estupro de vulnerável contra uma menina de 15 anos que ficou grávida. No começo de 2025, apoiadores de Morales fecharam estradas e paralisaram o país em protesto contra as acusações, que ele rejeita. Ele também se recusou a comparecer a audiências judiciais.
Enquanto a crise econômica se agravava, em maio, Morales foi condenado por desacato ao tribunal e um novo mandado de prisão foi expedido pelas acusações de estupro. Seus apoiadores ameaçaram "lançar o país no caos" caso ele fosse preso, num momento em que os protestos já haviam fechado estradas e obrigado o governo a transportar alimentos por via aérea para algumas áreas.
Depois que Paz declarou estado de emergência, em junho, e os protestos perderam força, começou a investigação mais recente, aberta a partir de uma queixa criminal sobre o envolvimento de Morales com os bloqueios. A queixa, apresentada pelo grupo cívico Comité pro Santa Cruz e depois encampada pelo Ministério do Interior, alega que apoiadores do ex-presidente "causaram escassez de alimentos, combustível e medicamentos" ao bloquear o transporte no país por 53 dias.
As acusações apresentadas na quarta-feira foram descritas em documento divulgado pela imprensa local, segundo a agência alemã DPA. A ordem determina que a polícia detenha Morales e o leve à unidade especial anticorrupção.
"Continuaremos lutando ao lado do povo, como sempre fizemos, com a convicção de que a Bolívia merece um caminho diferente: um de dignidade, soberania, justiça social e recuperação da esperança para todos", disse Morales ao responder às novas acusações.
Fonte: aljazeera.com.