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Coluna de Opinião

Brics na Índia: União frágil diante de conflitos geopolíticos

Bloco de países emergentes tenta superar divisões internas enquanto enfrenta tensões entre membros novos

Rafael Antunes ·2 min
Brics na Índia: União frágil diante de conflitos geopolíticos
Foto: metronews.com.br

A cúpula do Brics realizada na Índia expõe um paradoxo: enquanto o bloco se expande para representar melhor o Sul Global, suas tensões internas ameaçam neutralizar seu poder de barganha no cenário internacional.

O Brics se reúne em Nova Delhi em um momento de transformação e fragilidade. O bloco que nasceu com cinco membros (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) agora inclui Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos e Indonésia. Essa expansão reflete a ambição de criar um contrapeso real aos interesses ocidentais, especialmente diante das políticas protecionistas norte-americanas que têm empurrado países emergentes para mais perto uns dos outros. Mas o crescimento também trouxe um problema: membros com interesses contraditórios.

A guerra entre EUA e Irã criou uma fissura visível dentro do grupo. O Irã e os Emirados Árabes Unidos, ambos novos integrantes do Brics, estão em lados opostos do conflito. Isso não é detalhe menor. Em uma reunião anterior, ministros das Relações Exteriores dos dois países impediram qualquer consenso, bloqueando decisões. A Arábia Saudita, potência regional importante, tampouco aceitou adesão plena, apenas enviando delegações de nível inferior para Nova Delhi. Essas ausências e divisões revelam quanto é difícil construir coesão num grupo tão diverso geograficamente e politicamente.

Há, porém, sinais de esperança. A Organização de Cooperação de Xangai (de estrutura similar) conseguiu recentemente um acordo sobre o conflito com o Irã, com Modi e outros líderes assinando declaração conjunta. O ex-diplomata indiano Rajiv Bhatia sugere que essa experiência pode inspirar o Brics a encontrar caminhos para superar suas divisões. A pressão dos EUA, paradoxalmente, também força esses países a negociarem bilateralmente ou trilateralmente, criando oportunidades de entendimento fora do plenário.

Para o Paraná, a relevância do Brics está em dinâmicas de longo prazo: se o bloco conseguir se consolidar, pode influenciar preços de commodities (especialmente grãos e fertilizantes), câmbio e acesso a mercados — fatores que afetam diretamente produtores rurais paranaenses. Mas enquanto o grupo não resolve suas contradições internas, sua capacidade de impactar a economia global permanece limitada.

O desafio real não é expandir o Brics. É fazer seus membros se comportarem como bloco. Isso exige ceder, compartilhar e, às vezes, acatar decisões desagradáveis. Nenhuma organização internacional consegue fazer isso sem dor de cabeça — o Brics certamente não será exceção.

Com informações de metronews.com.br

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