Xi oferece “zona de código aberto” de inteligência artificial ao Brics e ataca o protecionismo
Na cúpula do bloco em Nova Délhi, o líder chinês apresentou um plano de cinco pontos que inclui comunidade de IA aberta, plataforma de nuvem e fábricas inteligentes, além de reforma da OMC e do Novo Banco de Desenvolvimento
O presidente da China, Xi Jinping, anunciou neste domingo (13), na cúpula do Brics em Nova Délhi, que Pequim tomará a dianteira na criação de uma “zona de código aberto” de inteligência artificial para os países do bloco, em discurso em que criticou o protecionismo no comércio internacional.
Segundo o discurso divulgado na cúpula, Xi afirmou que a China será “pioneira no estabelecimento de uma comunidade de código aberto de IA do Brics”, apoiando a cooperação no desenvolvimento e na aplicação de grandes modelos de linguagem, seminários e cursos de treinamento especializados e a construção de um “ecossistema aberto” para a tecnologia.
O plano de cinco pontos inclui ainda uma plataforma de nuvem para o ecossistema digital do bloco, apoio à instalação de fábricas inteligentes e a defesa de um arcabouço global de governança da IA “centrado nas pessoas”, além da reforma da Organização Mundial do Comércio e do Novo Banco de Desenvolvimento.
A oferta ocorre no momento em que empresas chinesas lideram a publicação de modelos de IA de código aberto, enquanto as americanas privilegiam sistemas fechados — e em plena disputa tecnológica entre Washington e Pequim. Para os países do bloco, entre eles o Brasil, a proposta embute uma escolha estratégica: ganhar acesso a modelos e infraestrutura a custo menor tem como contrapartida aumentar a dependência de tecnologia chinesa em setores sensíveis. O governo brasileiro não anunciou até a publicação desta reportagem adesão formal à iniciativa.
Fonte: Gazeta do Povo.