BRICS apela por contenção no Oriente Médio e reafirma poder global
Bloco de 11 países emite declaração conjunta em cúpula na Índia; Xi Jinping e líderes convergem em mensagem de moderação
Na cúpula do BRICS em Nova Delhi, os 11 países-membros — entre eles China, Rússia, Irã e Índia — emitiram apelo unânime por máxima contenção diante da escalada de tensões no Oriente Médio. A convergência, rara em um bloco heterogêneo, sinaliza que mesmo potências com interesses divergentes reconhece
O comunicado conjunto reflete preocupação genuína com a intensificação das hostilidades na região. Os membros do BRICS apelaram a “abstenção de quaisquer ações que possam agravar ainda mais a situação”, numa linguagem que busca estabelecer limites sem apontar culpados específicos. O presidente chinês Xi Jinping reforçou que o conflito “não serve aos interesses comuns da comunidade internacional” — uma posição que, embora óbvia, ganha peso quando pronunciada por quem representa 18% da economia mundial.
O timing importa aqui. Enquanto potências tradicionais (EUA, UE) enfrentam dificuldades diplomáticas no Oriente Médio, o BRICS tenta projetar-se como ator moderador. Isso atende simultaneamente a Rússia e Irã — membros do bloco com interesses diretos na região — e à China e Índia, que dependem da estabilidade para comércio e energia. É raro ver Moscou e Nova Delhi com posições tão alinhadas; mais raro ainda incluir Teerã nesse consenso.
O primeiro-ministro indiano Narendra Modi aproveitou o palco para recordar números: o BRICS representa 50% da população mundial, 40% do PIB global e mais de 25% do comércio internacional. A mensagem é clara: esse bloco não é marginal. Quando fala em uníssono, merece atenção — ainda que apelos de contenção funcionem apenas se as partes envolvidas no conflito realmente estejam dispostas a ouvir.
Para o Paraná, o impacto é indireto mas real. A estabilidade do Oriente Médio afeta fluxos de petróleo, câmbio e preços de insumos agrícolas. Um conflito descontrolado naquela região elevaria custos de energia e dificultaria exportações paranaenses de grãos e produtos processados — setores dependentes de estabilidade cambial e custos de frete. O apelo do BRICS por moderação, portanto, interessa também ao agronegócio paranaense.
O grande teste será se essa convergência verbal se traduz em ação diplomática efetiva. Blocos como o BRICS raramente conseguem implementar resoluções conjuntas fora de suas fronteiras, especialmente quando envolvem potências regionais com agendas próprias. Mas que o recado foi dado, foi — e em momento em que a escalada parecia sem freio.
Com informações de www.vietnam.vn (fonte no link).