Brasil rebaixa relação com a Argentina e deixa a embaixada em Buenos Aires sem embaixador
Julio Bitelli, convocado a Brasília, só volta ao posto se Milei parar de ofender autoridades brasileiras; o ministro-conselheiro Eduardo Uziel assume como encarregado de negócios
O governo brasileiro rebaixou o nível da representação diplomática na Argentina e decidiu manter o embaixador Julio Glinternick Bitelli fora de Buenos Aires por tempo indeterminado, em reação à sequência de ofensas do presidente argentino Javier Milei a Luiz Inácio Lula da Silva e a autoridades brasileiras.
Convocado a Brasília para consultas, Bitelli não retornará ao posto enquanto Milei mantiver os ataques, informação confirmada pelo Itamaraty. Nesse período, a embaixada ficará a cargo do segundo em comando, o ministro-conselheiro Eduardo Uziel, na condição de encarregado de negócios — o degrau abaixo do nível de embaixador nas relações bilaterais. O embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, foi chamado ao Itamaraty e comunicado da decisão; sua permanência no Brasil depende agora da resposta da Casa Rosada.
A crise começou em 25 de julho, quando Milei, em vídeo exibido na convenção nacional do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, chamou o socialismo de "lixo", falou em "risco Lula" e ofendeu o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Lula respondeu dois dias depois, e o argentino voltou a atacar, desta vez chamando o presidente brasileiro de "ladrão" e "corrupto" em entrevista ao jornal La Nación. A convocação de embaixador para consultas é o instrumento clássico da diplomacia para demonstrar forte descontentamento sem romper relações.
Fonte: Poder360.