Paraná · 3 de outubro de 2026
Curitiba 12°C Londrina 17°C Maringá 18°C Cascavel 19°C Foz do Iguaçu 21°C
Voz Conectada
Voltar
BR Internacional ·
Coluna de Opinião

BRICS enfrenta o dilema de unir rivais numa ordem internacional fragmentada

Bloco consegue avançar apesar das tensões internas, mas futuro depende de capacidade de conciliação entre membros com interesses divergentes

Rafael Antunes ·3 min
BRICS enfrenta o dilema de unir rivais numa ordem internacional fragmentada
Foto: cig.gal

O BRICS reuniu-se em Nova Délhi em meio a conflitos internacionais que dividem seus próprios membros. A questão central: como manter coesão quando Rússia, Irã e Arábia Saudita estão em lados opostos de duas das maiores crises globais?

Os BRICS nascem de um incômodo compartilhado. Assim como o Movimento dos Não Alinhados enfrentou no século passado, o bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul questiona uma ordem internacional onde não se veem adequadamente representados – e em um mundo onde os Estados Unidos travam guerras praticamente todos os anos desde o fim da Guerra Fria. É um diagnóstico claro do problema, mas que esconde uma realidade bem mais complicada dentro do próprio grupo.

A cúpula de Nova Délhi evidenciou essa tensão de forma cristalina. Três dos cinco membros estão diretamente envolvidos nos dois maiores conflitos do momento: a guerra na Ucrânia (com a Rússia como agressor) e o caos do Oriente Médio (onde Irã e Arábia Saudita ocupam trincheiras opostas). Não é detalhe menor. Para chegar a uma declaração final que todos pudessem assinar, o bloco precisou de acrobacias diplomáticas. O documento final, com 45 páginas e 140 pontos, evita referências explícitas aos conflitos, mas tece considerações sobre prevenção sem nomear culpados – uma fórmula que satisfaz a Rússia e os que exigem seu recuo, simultaneamente.

O desafio real é este: há alguma solução negociada possível para esses conflitos? O politólogo John Mearsheimer é cético. Segundo sua análise, a natureza das reivindicações é tão incompatível – especialmente a insistência russa em anexar territórios ucranianos, que Kiev rejeita – que um acordo viável parece improvável por enquanto. É o tipo de impasse que paralisa blocos de países, independentemente de seus objetivos gerais.

Apesar disso, há quem sustente que os BRICS não perderam o rumo. Evandro Menezes de Carvalho, professor de Direito Internacional da Universidade Federal Fluminense, avalia que a cúpula de Nova Délhi confirmou que o bloco mantém seus objetivos e capacidade de ação. É verdade que o BRICS reúne as duas maiores populações mundiais (China e Índia), o país mais extenso (Rússia) e as maiores economias da América Latina e da África (Brasil e África do Sul). Esse peso demográfico e econômico não desaparece só porque há desacordos.

O Paraná, como grande produtor de grãos e dependente de câmbio e demanda externos, observa esse movimento com interesse real. China e Índia são destinos centrais para a soja paranaense; a estabilidade das relações comerciais, mesmo com tensões políticas, importa diretamente no preço de nossos produtos. Blocos fragmentados, porém coesos economicamente, podem ser mais previsíveis do que o caos – e o Brasil, ainda que membro dos BRICS, tem razões próprias para evitar radicalizações.

A verdade é que os BRICS continuam caminhando, mas cuidadosamente. Nem desistem de seus objetivos de reordenar o peso geopolítico global, nem conseguem resolver as contradições internas que os atravessam. No curto prazo, essa é a realidade: um bloco que negocia consigo mesmo enquanto tenta negociar com o resto do mundo.

Com informações de www.cig.gal (fonte no link).

Relacionados

Governo Meloni proíbe rosto coberto nas escolas da Itália e limita a 30% alunos estrangeiros recém-chegados nas turmas iniciais
BR
Internacional

Governo Meloni proíbe rosto coberto nas escolas da Itália e limita a 30% alunos estrangeiros recém-chegados nas turmas iniciais

O Conselho de Ministros da Itália, presidido pela primeira-ministra Giorgia Meloni, aprovou na quinta-feira (24) um decreto-lei que proíbe participar de atividades escolares com o rosto coberto ou de forma que impeça a identificação — medida que o governo apresentou como veto à burca e ao niqab. O mesmo texto limita, a partir do ano letivo 2027/2028, a 30% a presença de alunos estrangeiros recém-chegados nas turmas iniciais.

Redação Voz Conectada ·há 16 horas
Suprema Corte dos EUA libera governo Trump para checar a cidadania de eleitores com dados da Previdência
BR
Internacional

Suprema Corte dos EUA libera governo Trump para checar a cidadania de eleitores com dados da Previdência

A Suprema Corte dos Estados Unidos autorizou na sexta-feira (25) o governo de Donald Trump a voltar a usar a versão ampliada do SAVE, sistema do Departamento de Segurança Interna (DHS) que permite a estados e municípios verificar em massa a cidadania de eleitores registrados. Por 6 votos a 3, os juízes suspenderam a decisão de primeira instância que havia derrubado o programa. As três juízas da ala progressista divergiram.

Redação Voz Conectada ·há 17 horas
Leão XIV reúne cerca de 800 mil em missa em Paris, segundo estimativa das autoridades locais
BR
Internacional

Leão XIV reúne cerca de 800 mil em missa em Paris, segundo estimativa das autoridades locais

O papa Leão XIV celebrou no sábado (26) uma missa ao ar livre na Praça da Concórdia, em Paris. A multidão foi estimada em 800 mil pessoas pelas autoridades locais, segundo o Vaticano, e o papa pediu aos franceses que não guardem a fé para si.

Redação Voz Conectada ·há 20 horas

Ver no Instagram · @vozconectada1