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Coluna de Opinião

BRICS na Índia: quando a geopolítica do Golfo Pérsico derruba a mesa de negociações financeiras

Cúpula encerrada sem acordo após conflito entre Irã e Emirados interromper debates sobre reforma do sistema monetário global

Rafael Antunes ·2 min
BRICS na Índia: quando a geopolítica do Golfo Pérsico derruba a mesa de negociações financeiras
Foto: opeb.org

A 18ª Cúpula do BRICS em Nova Déli terminou sem Declaração Conjunta. O culpado não foi apenas desacordo ideológico entre membros: foi a guerra no Golfo Pérsico, que virou combustível para uma fragmentação maior dentro do bloco — e sinalizou para o mundo como a instabilidade geopolítica continua derr

A reunião de 12 e 13 de setembro na Índia chegou já fragilizada. O conflito entre Irã e Emirados Árabes Unidos, com participação estadunidense sob governo Trump, colocou países-membros em lados opostos da disputa. Os Emirados, aliados dos EUA, viraram alvo de retaliação militar e econômica iraniana — e isso quebrou qualquer possibilidade de consenso interno para avançar em temas de fundo.

O pano de fundo é mais amplo. Trump já havia ameaçado tarifar países do BRICS em 2025 caso houvesse progresso em reduzir dependência do dólar (de-risking). Agora, a guerra externa congelou a própria discussão. Sem acordo em temas centrais da arquitetura financeira internacional, a Índia se viu forçada a encerrar a cúpula com apenas uma nota presidencial — um sinal claro de fracasso diplomático.

O que está em jogo é mais do que retórica: o BRICS tenta há anos reformar a governança econômica mundial, participando simultaneamente do sistema existente e pressionando por mudanças. Dessa vez, nem isso conseguiu avançar. Os países criticaram a instabilidade econômica global e o imobilismo na reforma do sistema financeiro, mas sem poder falar com uma voz única.

Para o Brasil e demais membros, a mensagem é clarividente: geopolítica destrói diplomacia econômica quando os conflitos são agudos. Enquanto Irã e Emirados se batem no Golfo, não há espaço para negociar moedas, taxas ou acesso a mercados. A fragmentação do bloco não é falha de gestão — é reflexo direto de uma ordem internacional cada vez mais rachada.

Com informações de opeb.org (fonte no link).

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