Brics tenta frear escalada no Oriente Médio, mas tensões internas ameaçam bloco
Em cúpula na Índia, grupo de 11 países pede paz, mas disputas entre China e Índia expõem fragilidades da articulação
O bloco dos Brics emitiu declaração conjunta pedindo calma no Oriente Médio durante cúpula em Nova Delhi neste sábado. O documento reflete meses de diplomacia intensa, mas as fissuras internas do grupo — especialmente as tensões na fronteira entre Índia e China — revelam que consenso entre países em
A declaração dos Brics procura se posicionar como alternativa ao multilateralismo tradicional, descrito pelo Itamaraty como “foro central para articulação de posições conjuntas entre países em desenvolvimento”. O timing não é casual: com conflitos armados pipocando pelo planeta e a governança global em crise, o bloco tenta reafirmar relevância. O Brasil, integrante desde a fundação, participa dessa construção de narrativa, embora a nota oficial ressalte um cenário de “profundos desequilíbrios econômicos”.
O texto aprovado condenou ataques a infraestrutura civil e instalações nucleares, com ênfase em salvaguardas da AIEA — recado discreto mas claro sobre a situação no Oriente Médio. Xi Jinping reforçou que a guerra regional “não atende aos interesses comuns da comunidade internacional”. Parece consensual, mas há um detalhe: foram necessários “intensos esforços diplomáticos” da Índia para costurar a declaração. Quando diplomacia precisa ser tão intensa para afirmar óbvio (que guerra é ruim), algo está rachado.
E está mesmo. As disputas na fronteira entre Índia e China — dois gigantes que deveriam ser pilares do bloco — foram pauta da cúpula. Ao mesmo tempo, Índia levantou agenda cara ao Brasil: reforma do Conselho de Segurança da ONU. Enquanto isso, Rússia segue isolada internacionalmente por sua invasão à Ucrânia. O Brics, portanto, funciona como fórum de países insatisfeitos com ordem atual, mas não como bloco com agenda convergente clara.
Para o Brasil, o desafio é duplo. De um lado, integrar um grupo que tenta se afirmar como contrapeso ao Ocidente e à governança tradicional. De outro, reconhecer que consenso em blocos de países em desenvolvimento é sempre frágil — especialmente quando questões comerciais, de segurança e geopolíticas competem por prioridade. A declaração sobre o Oriente Médio é simbólica; o que importa é se os Brics conseguem manter coesão quando interesses verdadeiramente divergem.
Com informações de ultimosegundo.ig.com.br (fonte no link).