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Coluna de Opinião

Câmara aprova subsídio para combustíveis com receitas do petróleo

Projeto usa arrecadação extraordinária do pré-sal para compensar redução de tributos em 2026

Otávio Bittencourt ·2 min
Câmara aprova subsídio para combustíveis com receitas do petróleo
Foto: gazetadopovo.com.br

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (12) o PLP 114/26, que cria mecanismo de compensação fiscal para conter alta nos preços dos combustíveis. Com 318 votos favoráveis, o projeto segue para análise do Senado após acordo entre Lula e Davi Alcolumbre.

O que foi aprovado

O Projeto de Lei Complementar 114/26 autoriza o governo federal a usar receitas extraordinárias da exploração de petróleo e gás para compensar a renúncia fiscal gerada pela redução de tributos sobre combustíveis durante 2026. O mecanismo funciona como um subsídio indireto: quanto maior a arrecadação do pré-sal, maior a capacidade de manter combustíveis mais baratos sem furos nas contas públicas.

Os números por trás da votação

A aprovação foi expressiva — 318 votos a favor, 113 contra e 1 abstenção — num cenário de pressão inflacionária causada pela guerra entre Estados Unidos e Irã. Segundo dados do projeto, a arrecadação brasileira com petróleo e gás cresceu 211% no primeiro trimestre de 2026 em relação a 2025, impulsionada pela alta do barril (de menos de US$ 70 para acima de US$ 120). Isso criou espaço fiscal temporário para a medida.

Impacto econômico e fiscal

O projeto também inclui isenção de tributos (AFRMM) para mercadorias destinadas à indústria de fertilizantes, com renúncia prevista de até R$ 200 milhões anuais. A lógica subjacente é clara: usar um pico de receitas não recorrentes para estabilizar preços num momento de volatilidade geopolítica. O risco, porém, está na dependência de um cenário externo — se o barril cair, a sustentabilidade da medida fica comprometida.

Próximos passos

O projeto segue para o Senado, onde terá nova rodada de negociações. O acordo entre Lula e Davi Alcolumbre sinalizou apoio da Casa Alta, mas a aprovação final ainda depende da votação plenária. Trata-se de uma solução administrativa de curto prazo para um problema estrutural — a volatilidade dos combustíveis e sua capacidade de alimentar inflação e pressionar renda das famílias.

Com informações da Gazeta do Povo.

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