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Casas Bahia pede recuperação judicial com dívida de R$ 17,3 bilhões

Balanço entregue à CVM em 16 de agosto mostra rombo 18 vezes maior que o de um ano antes; auditoria da EY se absteve de opinar e companhia admite nova recuperação

Redação Voz Conectada ·1 min
Casas Bahia pede recuperação judicial com dívida de R$ 17,3 bilhões
Foto: ZeroTwoAndHiroWW2 (CC BY-SA 4.0) — Wikimedia Commons; fachada de loja das Casas Bahia em São Lourenço (MG); imagem de arquivo

O Grupo Casas Bahia registrou prejuízo consolidado de R$ 10,117 bilhões no segundo trimestre de 2026, contra R$ 555 milhões no mesmo período de 2025. No semestre, a perda soma R$ 11,181 bilhões, segundo o balanço entregue à CVM.

O pedido foi protocolado no fim da noite de domingo (16) na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo e alcança o Grupo Casas Bahia e outras nove empresas do conglomerado, entre elas ASAP Log, Cnova, Integra Soluções para Varejo Digital e a Indústria de Móveis Bartira.

O passivo declarado é de R$ 17,3 bilhões, distribuídos entre cerca de 28 mil credores. Desse total, aproximadamente R$ 16,4 bilhões são de credores quirografários, R$ 754 milhões de dívidas trabalhistas e R$ 154 milhões de micro e pequenas empresas. Na recuperação extrajudicial de 2024, o passivo era de R$ 4,1 bilhões.

Na petição, a companhia atribui a medida à “deterioração das condições econômico-financeiras observadas ao longo dos últimos trimestres”, citando juros elevados, restrição de crédito, aumento do custo financeiro, pressão sobre o consumo e sobre o capital de giro, além da não concretização de alternativas de liquidez que estavam em avaliação.

O balanço que antecedeu o pedido

Um dia antes, a varejista entregou à Comissão de Valores Mobiliários o Informe Trimestral referente a 30 de junho de 2026. O documento mostra prejuízo consolidado de R$ 10,117 bilhões no trimestre — ante R$ 555 milhões um ano antes — e perda acumulada de R$ 11,181 bilhões no primeiro semestre. O patrimônio líquido consolidado ficou negativo em R$ 8,270 bilhões, depois de fechar 2025 positivo em R$ 2,774 bilhões.

Do prejuízo do trimestre, R$ 9,1 bilhões vêm de efeitos não recorrentes ligados à segunda fase do chamado Plano de Transformação, entre eles a baixa de R$ 5,5 bilhões em imposto de renda diferido e de R$ 971 milhões em ágio. Descontados esses efeitos, o prejuízo ajustado seria de R$ 1 bilhão. A auditoria independente Ernst & Young absteve-se de emitir conclusão sobre as demonstrações financeiras, citando incerteza relevante quanto à continuidade operacional.

O plano de reestruturação em curso prevê o fechamento de 298 lojas. Nesta segunda-feira (17), a ação BHIA3 caiu 33,33% e fechou a R$ 0,44, acumulando queda de cerca de 78% no ano.

Fontes: InfoMoney · NeoFeed · Exame.

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