Casas Bahia pede recuperação judicial com R$ 17,3 bilhões em dívidas e fecha 298 lojas
Pedido foi protocolado em 16 de agosto na Vara de Falências de São Paulo e comunicado à CVM; grupo teve prejuízo de R$ 10,1 bilhões no 2º trimestre e patrimônio líquido negativo em R$ 8,1 bilhões
O Grupo Casas Bahia protocolou em 16 de agosto pedido de recuperação judicial na Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo, alcançando cerca de R$ 17,3 bilhões em obrigações com bancos, fundos de investimento, seguradoras, fornecedores, aluguéis e dívidas trabalhistas. A decisão do Conselho de Administração foi informada ao mercado em fato relevante na mesma data.
Do passivo total, R$ 16,4 bilhões — 94,8% — estão nas mãos de credores sem garantia. A varejista encerrou o segundo trimestre de 2026 com prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões, dos quais R$ 9,1 bilhões vieram de efeitos não recorrentes, e patrimônio líquido negativo em R$ 8,1 bilhões, no oitavo trimestre seguido de perdas e com alerta formal do auditor sobre a continuidade das operações. Antes do pedido, a companhia fechou 298 lojas deficitárias.
Em comunicado enviado à CVM em 18 de agosto, em resposta a ofício da Superintendência de Relações com Empresas, o grupo confirmou o protocolo e afirmou que não há financiamento DIP, renegociação ou operação de recursos definida ou aprovada.
A ida à Justiça acontece dois anos depois da homologação de uma recuperação extrajudicial que reestruturou R$ 4,8 bilhões — ou seja, a segunda reestruturação da rede em um intervalo curto. O caso condensa o custo do dinheiro caro no varejo brasileiro: a companhia opera alavancada e vendendo a crédito num ambiente de Selic a 14% ao ano, com famílias endividadas e concorrência dos marketplaces, depois de anos de demora na adaptação ao varejo digital. As ações BHIA3 despencaram desde a divulgação do pedido.
Fonte: Gazeta do Povo.