Comércio China-África bate recorde, mas déficit africano dispara
Continente vende menos do que compra de Pequim; medida de tarifa zero é avaliada como cosmética.
O comércio entre China e África atingiu US$ 92,3 bilhões no primeiro trimestre de 2026, mas o déficit comercial africano com Pequim saltou para US$ 29,1 bilhões só no período, expondo o desequilíbrio da relação.
O comércio entre China e África alcançou US$ 92,3 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 27,1% em um ano e o maior nível desde 2022. No mesmo período, porém, o déficit comercial africano com Pequim saltou para US$ 29,1 bilhões — cerca de US$ 10 bilhões a mais que um ano antes. Os maiores déficits são de Nigéria, Egito e Argélia.
Os números expõem a dependência crescente da África em relação à China, que vende muito mais do que compra. A medida de tarifa zero anunciada por Pequim foi avaliada como cosmética, já que a maior parte das exportações africanas já entrava sem tarifa. O dado serve de contraponto cético ao discurso de cooperação e ao avanço da influência chinesa, inclusive nos rumos do bloco do qual o Brasil faz parte.
Fonte: Ecofin Agency.