Dívida dos EUA passa de US$ 40 trilhões e Tesouro dobra recompra de títulos longos
Dado oficial do Tesouro americano mostra endividamento de US$ 40,047 trilhões em 18 de agosto; um dia depois, o governo elevou de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões o tamanho das operações de recompra
A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou os US$ 40 trilhões pela primeira vez. O dado consta do sistema oficial Debt to the Penny, do Tesouro americano: US$ 40,047 trilhões em 18 de agosto, contra US$ 39,987 trilhões no dia anterior.
Os números vêm da própria contabilidade do Tesouro dos Estados Unidos: em 18 de agosto de 2026, a dívida pública total somava US$ 40.047.425.768.420,22, sendo US$ 32,27 trilhões em poder do público e US$ 7,78 trilhões em títulos intragovernamentais. Na véspera, o total era de US$ 39,99 trilhões — ou seja, a marca dos US$ 40 trilhões foi cruzada em um único dia útil. Há dez anos, o endividamento americano rondava os US$ 19 trilhões: dobrou em uma década.
O marco veio acompanhado de um movimento defensivo. Em comunicado de 19 de agosto, o Tesouro anunciou que aumentará, no mínimo em dobro, o tamanho das operações de recompra de liquidez para títulos nominais mais longos — dos setores de 10 a 20 anos e de 20 a 30 anos —, passando do teto atual de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões por operação. A mudança começa em 9 de setembro e vale até 4 de novembro, fim do trimestre de refinanciamento.
Na prática, o governo americano compra de volta seus próprios papéis para sustentar a liquidez de um mercado que vinha rejeitando dívida longa e empurrando os juros para o maior patamar em quase duas décadas. É a conta de anos de gasto acima da arrecadação chegando ao balcão — e, quando os juros longos americanos sobem, o custo do dinheiro sobe no mundo inteiro, inclusive no Brasil.
Fonte: Tesouro dos Estados Unidos (comunicado de 19/08 e base Debt to the Penny).