Documento oficial dos EUA diz que o governo Lula falhou em enfrentar PCC e Comando Vermelho, e Ministério da Justiça rebate
Texto enviado por Trump ao Congresso americano afirma que as facções transformaram o Brasil em centro do fluxo global de cocaína; Brasil não entrou na lista dos 23 países, mas foi citado na parte narrativa
A Casa Branca afirmou, na determinação presidencial anual sobre os principais países produtores e de trânsito de drogas, enviada ao Congresso americano em 15 de setembro e publicada pelo Departamento de Estado, que o Brasil "falhou em confrontar" o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho, facções que Washington classifica como organizações terroristas estrangeiras. O Ministério da Justiça e Segurança Pública respondeu em nota que não há falhas nem omissões no combate ao crime organizado.
“O Brasil falhou em confrontar as organizações terroristas estrangeiras designadas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho, que transformaram o Brasil em um centro para o fluxo global de cocaína”, diz o documento. “Essas organizações terroristas brasileiras são uma ameaça crescente à paz e à segurança ao redor do mundo, e o governo do Brasil precisa urgentemente adotar medidas firmes para confrontá-las e derrotá-las antes que se espalhem e cresçam”, completa o texto.
O Brasil não integra a relação formal de 23 países considerados grandes produtores ou rotas de trânsito para o ano fiscal de 2027 — lista que inclui Bolívia, Colômbia, Venezuela e México —, mas foi o alvo de uma das críticas mais duras da parte narrativa. PCC e CV foram designados como terroristas pelos EUA em junho.
Na resposta, o Ministério da Justiça afirmou que a crítica não corresponde à categoria jurídica de descumprimento formal prevista na legislação americana, por estar só na parte narrativa, e que desconsidera a cooperação existente entre os dois países. A pasta lembrou que Lula entregou em Washington, em 7 de maio, uma proposta de ação conjunta contra lavagem de dinheiro e tráfico de armas, ainda sem resposta, e citou a Lei Antifacção, sancionada em março.
O documento americano chega em meio ao avanço das facções sobre a economia formal — nesta semana, operação em São Paulo mirou a infiltração do PCC no transporte coletivo da capital — e reforça a pressão externa sobre a política de segurança do governo a poucas semanas da eleição.
Fontes: Gazeta do Povo · Poder360 · Diário do Poder · Imirante