Estatais federais acumulam rombo de R$ 7,8 bilhões no semestre e dívida bruta chega a 81,9% do PIB
Dados do Banco Central mostram déficit primário de R$ 55,3 bilhões no setor público consolidado em junho e juros nominais de R$ 110,7 bilhões no mês
As estatais federais acumularam déficit de R$ 7,8 bilhões no primeiro semestre de 2026, o pior resultado para o período na série do Banco Central, segundo as estatísticas fiscais divulgadas nesta sexta-feira (31). No mesmo levantamento, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 55,3 bilhões em junho, contra R$ 47,1 bilhões em junho de 2025.
No recorte de junho, o governo central respondeu por déficit de R$ 47,2 bilhões, os governos regionais por R$ 6,6 bilhões e o conjunto das empresas estatais por R$ 1,5 bilhão — nas estatais federais, isoladamente, o resultado negativo do mês foi de R$ 1,83 bilhão. O rombo acumulado no semestre pelas federais já supera o registrado em todo o ano de 2024. A metodologia do Banco Central não inclui Petrobras, Eletrobras e instituições financeiras públicas; entram no cálculo empresas como Correios, Infraero, Casa da Moeda, Serpro, Dataprev, Hemobrás, Emgepron e Emgea. Boa parte do resultado é atribuída à situação dos Correios, que fecharam 2025 com prejuízo bilionário e seguem sob plano de reestruturação.
Os números de endividamento também pioraram. A dívida bruta do governo geral chegou a 81,9% do PIB, o equivalente a R$ 10,8 trilhões. Os gastos do setor público consolidado com juros nominais somaram R$ 110,7 bilhões em junho, ante R$ 61 bilhões em junho de 2025. Com isso, o déficit nominal — que soma o resultado primário aos juros apropriados — ficou em R$ 166 bilhões no mês e em R$ 1,31 trilhão em 12 meses, o equivalente a 9,99% do PIB.
Fonte: Gazeta do Povo.