EUA revogam visto da embaixadora do Brasil em Washington e governo Lula fala em escalada hostil
Departamento de Estado justificou a medida pela demora do Itamaraty em conceder o agrément a Daniel Perez, indicado de Trump para a embaixada em Brasília; Planalto classificou as justificativas como falsas
O governo dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira (4) a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em represália à demora do Itamaraty em aprovar o nome de Daniel Perez para chefiar a embaixada norte-americana em Brasília.
A decisão foi comunicada pelo Departamento de Estado sem aviso prévio ao Itamaraty, segundo relataram diplomatas brasileiros. Washington informou que o visto pode ser restabelecido assim que o Brasil conceder o agrément a Daniel Perez, e afirmou que a medida não configura declaração de persona non grata — ou seja, Viotti não é expulsa e pode permanecer nos Estados Unidos. Diplomata de carreira de 72 anos, ela chefia a embaixada em Washington desde 2023 e foi chefe de gabinete do secretário-geral da ONU, António Guterres, entre 2017 e 2021.
Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação da Presidência, o governo brasileiro repudiou a medida e afirmou que "as duas justificativas apresentadas são falsas". O texto sustenta que os Estados Unidos feriram a Convenção de Viena ao tornar público o nome do indicado antes da anuência do país anfitrião e lembra que não há prazo previsto no tratado para a concessão do agrément — o pedido, diz o Planalto, segue em análise. O governo classificou o episódio como parte de uma "escalada deliberada de medidas hostis", citando as sanções da Lei Magnitsky ainda em vigor contra autoridades brasileiras, e afirmou que Lula pediu pessoalmente a Trump, em visita a Washington em maio, o levantamento das sanções individuais.
Fonte: Agência Brasil.