Fed sobe os juros dos EUA pela primeira vez desde 2023 e leva a taxa à faixa de 3,75% a 4% com a inflação pressionada pelo petróleo
Decisão foi unânime, por 12 a 0, e as projeções do comitê apontam mais uma alta de 0,25 ponto ainda neste ano; comunicado diz que a inflação "segue elevada"
O Federal Reserve elevou nesta quarta-feira (16) a taxa básica de juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano — a primeira alta desde 2023, num movimento que inverte a direção da política monetária americana e joga contra o custo do dinheiro no mundo inteiro, o Brasil incluído.
A decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto foi unânime, por 12 votos a 0. No comunicado oficial, o Fed registra que “a inflação segue elevada”, que “a atividade econômica está se expandindo em ritmo sólido” e que a alta busca “um retorno mais tempestivo à meta de 2% do comitê”. As projeções atualizadas passaram a ver a inflação cheia em 3,7% (contra 3,6% antes) e o núcleo em 3,4% (contra 3,3%), e apontam, em média, mais um aumento de 0,25 ponto ainda em 2026 — e nenhum em 2027. O presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou depois da reunião que a inflação americana ainda está alta demais.
A causa apontada pelos analistas é direta: o choque de energia provocado pela guerra entre Estados Unidos e Irã, que empurrou o petróleo acima de US$ 100 o barril e contaminou toda a cadeia de preços. O movimento americano contrasta com a rota do Banco Central brasileiro, que no mesmo dia cortou a Selic pela quinta vez seguida — e estreita o diferencial de juros que sustenta a entrada de capital no país. Para o Brasil, juro americano subindo significa dólar mais caro, financiamento externo mais difícil e menos espaço para o Copom acelerar cortes.
Fonte: Fox Business, com o comunicado oficial do Federal Reserve.