Fim da escala 6x1 ganha tração no Senado, mas enfrenta resistência empresarial
Relator apoia redução de jornada e quer votar ainda em 2024; aprovação depende de 49 votos e diálogo político
O senador Omar Aziz, relator da PEC que extingue a escala 6x1, confirmou apoio à medida e planeja apresentar parecer na semana de esforço concentrado do Senado (31 de agosto a 4 de setembro). A proposta, aprovada na Câmara em maio, busca reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas — prioridade do
A PEC da jornada 6x1 avançou depois que Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, retomaram o diálogo no início de agosto. O movimento — incluindo um jantar de reaproximação promovido pelo ministro Alexandre de Moraes — sinalizou disposição do governo em construir consenso. O texto agora tramita em comissões e depende de aprovação em plenário, onde precisa de 49 votos para passar.
O relator Omar Aziz sinaliza otimismo, mas a realidade é mais complexa. Alcolumbre deixou claro que, apesar de a proposta ser popular junto ao eleitorado, enfrenta resistência considerável do setor produtivo — levantando dúvidas sobre a viabilidade de votação ainda em 2024. O presidente do Senado sugeriu que a votação só ocorra após as eleições municipais de outubro, quando o calendário legislativo muda.
Do ponto de vista econômico, a disputa é sobre redistribuição de custos. Para os trabalhadores, trata-se de conquistar horas de repouso; para empresários, representa aumento de despesas operacionais. O governo aposta na articulação política para traduzir apoio popular em votos suficientes no Senado — mas o empresariado não está inerte nessa negociação.
O timing também importa. Votando antes de outubro, o governo evita que eleições municipais criem novas pressões sobre os senadores. Votando depois, a legitimidade democrática recente das urnas pode fortalecer o argumento governista, mas também pode dar mais tempo para a oposição se organizar. Aziz quer agilizar; Alcolumbre pede paciência. O resultado será definido pela matemática parlamentar e pela capacidade do Palácio do Planalto de manter a coalisão unida.
Com informações de www.estadao.com.br (fonte no link).