Fiocruz descobre alvo inédito e abre caminho para vacina universal contra a malária
Estudo brasileiro publicado na Nature identifica 453 fragmentos de proteínas do parasita e mira células de defesa capazes de proteger contra cinco espécies do Plasmodium
Pesquisadores da Fiocruz Minas, coordenados por Caroline Junqueira, identificaram 453 peptídeos derivados de 166 proteínas do parasita Plasmodium que podem servir de base para uma vacina mais ampla e duradoura contra a malária. O trabalho, publicado em 1º de julho de 2026 na revista Nature, confirmou resposta imunológica em cinco espécies do parasita, incluindo as duas mais perigosas para humanos, a P. falciparum e a P. vivax.
Em vez de apostar apenas na produção de anticorpos, estratégia das vacinas atuais de eficácia limitada, o grupo da Fundação Oswaldo Cruz de Minas Gerais investigou os linfócitos T CD8+, células de defesa capazes de reconhecer e destruir diretamente as células infectadas. A equipe focou em proteínas essenciais à sobrevivência do parasita, o que amplia o potencial de uma proteção cruzada entre espécies.
Segundo a coordenadora Caroline Junqueira, a resposta foi confirmada em cinco espécies diferentes e em múltiplos hospedeiros, inclusive humanos naturalmente infectados. A descoberta já rendeu proteção por patente internacional (USPTO, ARIPO e OAPI). Publicado na Nature, o resultado é apontado como avanço relevante depois de mais de 50 anos de tentativas frustradas de se obter um imunizante eficaz contra a doença.
Fonte: O Tempo / revista Nature.