Flávio Bolsonaro usa a PEC do fim da reeleição como moeda para destravar apoios e manter 2030 em aberto
Compromisso de mandato único está formalizado na PEC 4/2026, apresentada pelo senador em março e em tramitação no Senado
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) transformou o fim da reeleição presidencial em um dos principais ativos na negociação com partidos de centro e centro-direita. O compromisso está formalizado na PEC 4/2026, de sua autoria, protocolada em março e registrada no sistema de matérias legislativas do Senado, que impede o presidente da República de disputar um segundo mandato consecutivo.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem apresentado a promessa de cumprir um mandato único como argumento para reduzir resistências à sua candidatura e atrair legendas de centro e centro-direita. O compromisso não é apenas verbal: está formalizado na PEC 4/2026, de autoria do senador e de outros parlamentares, protocolada em março e em tramitação no Senado, que veda a reeleição para o Executivo.
A proposta se soma a um debate que já avançou na Casa — em maio de 2025, a Comissão de Constituição e Justiça aprovou a PEC 12/2022, que acaba com a reeleição para presidente, governadores e prefeitos e institui mandatos de cinco anos.
O cálculo político é explícito e ajuda a explicar a receptividade da proposta em parte do campo conservador: com a eleição de Flávio em 2026 e a aprovação do fim da reeleição na legislatura seguinte, nomes como Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas poderiam disputar 2030 sem enfrentar o filho do ex-presidente. O mérito da mudança, defendida há anos por quem critica o uso da máquina pública em campanhas de reeleição, passa assim a caminhar junto com a conveniência eleitoral de quem a propõe — e a tramitação da PEC dirá qual dos dois pesa mais.
Fonte: Gazeta do Povo.