Flávio pede observadores estrangeiros a embaixadores de 42 países; TSE nega ligação da Smartmatic com as urnas
Pré-candidato ao Planalto discursou a diplomatas em Brasília, citou relatório da CIA sobre a Venezuela e depois afirmou que não questiona o sistema de votação brasileiro
O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), pré-candidato à Presidência, pediu nesta terça-feira (21), em encontro com representantes diplomáticos de 42 países em Brasília, que seus governos enviem "a maior quantidade de observadores possíveis" para acompanhar as eleições de 4 de outubro. Na mesma fala, ele associou as urnas eletrônicas brasileiras à empresa venezuelana Smartmatic e citou documentos da CIA sobre fraudes na Venezuela — alegação que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desmente desde 2017.
Após a repercussão, Flávio mudou o tom e afirmou expressamente que "não está questionando o sistema de votação brasileiro", limitando o pedido ao envio de missões internacionais de observação — instrumento previsto pela própria Justiça Eleitoral e recomendado pela Organização dos Estados Americanos (OEA) ao Brasil desde 2018. O TSE mantém regras de credenciamento de missões de observação eleitoral nacional e internacional para o pleito de 2026, com prazos definidos em resolução.
Sobre a Smartmatic, a posição do tribunal é categórica e já foi repetida em 2017, 2020, 2022 e novamente neste mês: a empresa não fornece urnas eletrônicas nem softwares usados nas urnas brasileiras, e todo o projeto do sistema de votação foi concebido e é gerido pela Justiça Eleitoral. Segundo o TSE, a companhia teve apenas contratos de serviços de conexão de dados e voz e de apoio à capacitação de técnicos, além de ter participado — e perdido, para a Positivo — a licitação de fabricação de urnas em 2020. A checagem da Agência Lupa, publicada em 17 de julho, chegou à mesma conclusão sobre o relatório da CIA citado pelo senador.
Fonte: Gazeta do Povo.