Galípolo diz que os juros devem seguir em nível restritivo por mais tempo
Presidente do Banco Central falou no Expert XP nesta sexta-feira e evitou sinalizar o próximo passo da Selic, hoje em 14,25% ao ano
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta sexta-feira (24), em painel do Expert XP, que a taxa básica de juros deve permanecer em nível restritivo por período prolongado, diante de expectativas de inflação acima da meta e da resiliência da atividade econômica. Ele evitou antecipar qual será o próximo movimento da Selic, hoje em 14,25% ao ano, e disse que a instituição não decide com base em um indicador isolado.
Segundo Galípolo, ainda é complexo separar quanto da inflação vem de choques de oferta e quanto reflete atividade mais aquecida, razão pela qual o Banco Central seguirá dependente dos dados para identificar a tendência da economia. Ele afirmou que a economia brasileira tem mostrado resiliência a choques geopolíticos que pressionam preços no exterior e defendeu cautela na definição dos próximos passos da política monetária.
A Selic está em 14,25% ao ano desde a reunião do Comitê de Política Monetária de 17 de junho, quando o colegiado cortou a taxa em 0,25 ponto percentual por decisão unânime — o terceiro corte do ciclo. O quadro externo se alterou desde então: a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã e o bloqueio de rotas marítimas no Oriente Médio levaram o petróleo Brent a superar US$ 100 o barril nesta semana, o que pressiona os preços de combustíveis importados.
Fonte: Diário do Comércio.