Gilmar Mendes diz que quem faz "proselitismo partidário" no TSE deve avaliar se pode continuar na Corte
Sem citar nomes, o decano do STF disparou contra Nunes Marques e André Mendonça, presidente e vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral, a 15 dias do primeiro turno
O ministro Gilmar Mendes afirmou nesta semana, em publicação na rede social X, que "quem tenta engajar o Tribunal em proselitismo partidário deve avaliar se reúne condições de nele permanecer". A frase, sem destinatário nominal, foi lida como recado direto a Kassio Nunes Marques e André Mendonça, que hoje presidem e vice-presidem o Tribunal Superior Eleitoral.
Na mesma manifestação, o decano do Supremo Tribunal Federal defendeu que a Justiça Eleitoral seja preservada de tentativas de politização e mantenha atuação imparcial e apartidária, e sustentou que partidos e o Ministério Público Eleitoral devem acompanhar de perto se essas condições estão presentes.
A declaração encerra uma sequência de atritos públicos entre os três ministros: na sessão que discutiu o pedido para investigar Alexandre de Moraes, Gilmar e Mendonça ocuparam lados opostos, e o decano acusou o colega de buscar ganho político com a crise no Supremo ao divulgar vídeo agradecendo apoio popular. Com Nunes Marques, o desentendimento se deu em torno da troca no comando da Polícia Federal, episódio em que, segundo relatos publicados, o presidente do TSE bloqueou Gilmar em aplicativo de mensagens.
O embate expõe a Justiça Eleitoral a 15 dias do primeiro turno — no momento em que o TSE decide registros de candidatura, propaganda e representações que podem alterar disputas estaduais inteiras. Vale registrar a contradição apontada por críticos: na mesma semana em que cobrou despolitização dos colegas, Gilmar Mendes reconheceu, no Mandado de Injunção 7300, que o reajuste de 15,04% do Bolsa Família assinado por Lula na véspera não fere a lei eleitoral — decisão que a oposição classificou como favorecimento à campanha do presidente.
Nem Nunes Marques nem Mendonça responderam publicamente à provocação até a manhã deste domingo.
Fontes: Poder360 · O Povo · ac24horas · Tribuna do Sertão