Governo antecipa 1,8 GW de térmicas para setembro por risco de El Niño e de choque nos combustíveis
CMSE aprovou nesta quarta a antecipação de cinco contratos de reserva de capacidade; leilão de março contratou apenas metade da potência necessária
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) aprovou nesta quarta-feira (22) a antecipação do início do suprimento de cinco contratos de reserva de capacidade, o que colocará 1.827,1 MW adicionais à disposição do sistema elétrico já em 1º de setembro. A decisão, informada pelo Ministério de Minas e Energia, se apoia em avaliação do Operador Nacional do Sistema e no Plano de Operação Energética 2026/2030.
Segundo o MME, o ONS aponta "elevada probabilidade" de El Niño no segundo semestre, fenômeno que reduz a energia disponível na região Norte e ao mesmo tempo eleva a carga do sistema por causa das temperaturas mais altas. Pesou também o cenário externo: a decisão considerou "as incertezas geopolíticas ocasionadas pelo atual cenário de guerras, que podem impactar diretamente os preços de combustíveis". A antecipação recompõe, na prática, um buraco deixado pelo leilão de reserva de capacidade realizado em março, que previa contratar 4,2 GW de potência para atendimento de ponta e fechou com apenas 2,2 GW por falta de oferta.
O argumento tarifário aparece explicitamente nos estudos citados pelo ministério: usinas acionadas fora de contrato de leilão custam no mínimo 25% a mais do que as contratadas. O governo consultou em abril os vencedores dos leilões de 2022 e de 2026, e usinas somando 2.377 MW manifestaram interesse em antecipar. Na mesma reunião, o comitê aprovou nova forma de representar a expansão de usinas do mercado livre no bloco de ofertas, valendo a partir do programa mensal de operação de janeiro de 2027, com simulações paralelas de agosto a dezembro deste ano. O MME informa cinco contratos antecipados; listas divulgadas pela imprensa setorial citam seis usinas, divergência ainda não esclarecida pelo ministério.
Fonte: Ministério de Minas e Energia.