Governo dos EUA já pôs US$ 750 milhões no veículo que destrava a compra da mineradora de terras-raras Serra Verde
Documento entregue à SEC nesta segunda (24) mostra aporte feito, carta-compromisso de banco para linha de US$ 500 milhões e contrato de compra garantida de US$ 300 milhões; acionistas votam em 28 de agosto
A USA Rare Earth informou à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) que o governo americano já aportou US$ 750 milhões no veículo criado para comprar a produção da Mineração Serra Verde, em Minaçu (GO), removendo a última condição que faltava para fechar a aquisição da brasileira.
Pelo formulário 8-K protocolado em 24 de agosto, o contrato de fornecimento de longo prazo assinado em abril foi alterado em 21 de agosto para ajustar o apoio financeiro exigido do governo dos EUA.
A nova redação prevê aporte de US$ 750 milhões no veículo de propósito específico, investido sob um acordo de participação nos lucros; carta-compromisso de um banco institucional de primeira linha para uma linha rotativa sênior com garantia de até US$ 500 milhões, destinada a capital de giro; e um ou mais contratos de compra futura pelos quais o governo americano adquirirá pelo menos US$ 300 milhões em produtos de terras-raras nos cinco primeiros anos.

A empresa registra que o aporte de US$ 750 milhões e o contrato de compra já estão feitos, enquanto a linha bancária ainda não foi documentada nem sacada.
A Serra Verde opera desde 2024 o projeto Pela Ema, no norte de Goiás, e produz óxidos de neodímio, praseodímio, disprósio e térbio — os quatro elementos magnéticos críticos para ímãs de motores elétricos, turbinas e sistemas de defesa. A fusão foi acordada em 19 de abril e alterada em 16 de julho; os acionistas da USA Rare Earth se reúnem em 28 de agosto para deliberar.
Na prática, Washington está bancando com dinheiro público a captura da produção de uma mina brasileira por 15 anos, num movimento para reduzir a dependência ocidental da China — enquanto o Brasil, dono da segunda maior reserva mundial de terras-raras, segue exportando minério bruto sem cadeia industrial própria.