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Interpol usa inteligência artificial para identificar 126 terroristas estrangeiros em 108 mil imagens de propaganda jihadista

Operação Shams II reuniu 28 agentes de 11 países em Túnis; sistema filtrou o material bruto até 6.362 rostos únicos, mas toda correspondência passou por revisão humana antes de virar prova

Redação Voz Conectada ·2 min
Interpol usa inteligência artificial para identificar 126 terroristas estrangeiros em 108 mil imagens de propaganda jihadista
Operação Shams II. Foto: Interpol/divulgação

A Interpol anunciou nesta sexta-feira (18) que uma operação inédita com apoio de inteligência artificial identificou 126 combatentes terroristas estrangeiros a partir de 108.076 imagens faciais extraídas de vídeos e fotos distribuídos por grupos jihadistas na internet.

Segundo o comunicado oficial da organização, a Operação Shams II foi realizada entre 1º e 5 de junho de 2026, em Túnis, e reuniu 28 agentes e especialistas de 11 países: Costa do Marfim, Gana, Iraque, Quênia, Malásia, Nigéria, Filipinas, Catar, Tajiquistão, Tunísia e Uzbequistão. Agentes de IA e scripts gerados automaticamente cuidaram da coleta e do tratamento do material — eliminação de duplicatas e avaliação de qualidade —, reduzindo o volume bruto a 6.362 imagens faciais únicas de alta resolução, que então foram cruzadas com as bases de dados da Interpol.

A organização faz questão de registrar que nenhum resultado produzido pela máquina foi aceito automaticamente: todas as correspondências passaram por revisão e verificação de policiais e analistas treinados, conforme as regras da entidade sobre processamento de dados.

As informações produzidas na operação já estão sendo usadas em procedimentos judiciais nos países participantes, inclusive em um caso com dois suspeitos detidos, e milhares de imagens seguem em processamento — o que pode elevar o número de identificações.

O caso é um contraponto concreto ao debate sobre o uso de reconhecimento facial por forças de segurança: a tecnologia acelerou um trabalho que levaria meses de triagem manual, mas o desenho adotado manteve o agente humano como responsável final pela identificação, modelo que tribunais e legisladores vêm exigindo para admitir esse tipo de prova.

Fontes: Gazeta do Povo · Interpol · Correio Braziliense

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