PF e Carabinieri fazem operação contra herdeiros da máfia 'Ndrangheta que usavam o Porto de Paranaguá para mandar cocaína à Europa
Operação Eredità, coordenada pela PF do Paraná, cumpre sete prisões preventivas; grupo é ligado a mais de 4,6 toneladas de cocaína apreendidas
A Polícia Federal no Paraná deflagrou nesta quinta-feira (17) a Operação Eredità contra uma estrutura criminosa que associava grupos brasileiros e italianos para enviar cocaína da América do Sul à Europa. Segundo o Ministério Público Federal, a rede manteve o envio da droga pelo Porto de Paranaguá mesmo depois da prisão de integrantes da máfia calabresa 'Ndrangheta, em 2019.
A ação cumpre sete mandados de prisão preventiva contra brasileiros e italianos e cinco de busca e apreensão em São Paulo, São Caetano do Sul, Santos, Americana e Palhoça (SC), além do sequestro de imóveis e do bloqueio de bens e contas dos investigados. Segundo a PF, a estrutura está ligada a pelo menos 11 apreensões feitas entre 2019 e 2020, que somam mais de 4,6 toneladas de cocaína destinadas a países europeus, e mantinha um braço financeiro para movimentar e ocultar o dinheiro do tráfico.
O nome da operação — “herança”, em italiano — descreve o que os investigadores encontraram: parentes e ex-associados dos mafiosos presos assumiram o negócio e continuaram comprando, armazenando e embarcando a droga.
A investigação aprofunda as operações Retis e Spiderweb e é desdobramento das operações Samba e Mafiusi, deflagradas no Brasil e na Itália em dezembro de 2024. O trabalho contou com uma equipe conjunta de investigação formada pela PF e pelo MPF com o ROS dos Carabinieri e o Ministério Público de Turim, e com a Procuradoria Nacional Antimáfia italiana. Os investigados podem responder por tráfico internacional, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
O caso volta a expor o litoral paranaense como corredor preferido do crime organizado para a cocaína que sai do continente.