Lula admite cedência a Lira sobre taxa das blusinhas e recua da cobrança
Presidente sanciona lei que zera imposto de importação em compras internacionais de até US$ 50, revertendo medida que havia aceito 'a contragosto'
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu nesta quinta-feira (10 de setembro) que aceitou a criação da taxa de 20% sobre compras internacionais de pequeno valor sob pressão do então presidente da Câmara, Arthur Lira, mas sancionou lei que elimina essa cobrança — criando uma tensão entre o di
A saga da “taxa das blusinhas” revela o funcionamento prático do jogo político: Lula admitiu que não queria o imposto, mas topou colocá-lo como moeda de troca para viabilizar um acordo maior no Congresso. Segundo o relato, Lira argumentou que a medida era exigência de empresários e necessária para que “nada fosse aprovado”. Lula disse que cedeu “a contragosto”. Pronto: o imposto entrou na lei em 2024, estabelecendo alíquota de 20% para compras de até US$ 50.
Mas há uma virada: o relator no Senado, Rodrigo Cunha (Podemos-AL), retirou a tributação do texto, e o governo precisou reagir. O líder da bancada governista no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), trabalhou para reincluir o tema — sinalizando que a Casa Branca pretendia manter a cobrança. Lula, porém, sancionou a lei nesta quinta sem o imposto de importação, mantendo apenas o ICMS cobrado pelos Estados.
O presidente justificou a reversão alegando que naquele momento “não tinha necessidade” do imposto e classificou a mudança como uma “reparação” aos consumidores. Lula ainda rebateu críticas de empresários, dizendo que o discurso sobre prejuízos ao comércio é “meio falso” — e propôs deixar o tempo passar para comprovar quem estava certo. Argumentou também que a isenção não beneficia só baixa renda, mas classe média inteira que compra pequenas quantidades online.
Politicamente, o movimento mostra negociação real: Lula precisava de votos, cedeu, depois o Congresso se moveu diferente, e ele recuou. Não há engano quanto aos fatos — apenas a dinâmica comum de acordos que mudam conforme mudam as forças em jogo. O impacto prático é sobre o consumidor (que não paga o imposto federal, mas segue sujeito ao ICMS estadual) e sobre varejistas (que temem redução de vendas, discurso que o presidente descartou).
Com informações de www.poder360.com.br (fonte no link).