Mendonça afasta diretor da PF e aprofunda crise no governo Lula
Decisão do ministro do STF tira Andrei Rodrigues do cargo e alimenta acusações de ambos os lados sobre uso político da segurança pública
O ministro André Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal na terça-feira (8). A medida, referendada pela Segunda Turma do STF, acende mais um conflito entre Executivo e Judiciário em ano de eleições.
A decisão de Mendonça tem origem em um relatório interno da PF que o ministro Alexandre de Moraes usou para pedir investigação contra o próprio Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Trata-se de uma escalada no braço de ferro entre dois poderes que vinha se desenrolando nos inquéritos do Banco Master e INSS.
Para aliados de Lula no Senado, o movimento de Mendonça contém outra intenção: pressionar o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para colocar em votação pedidos de impeachment contra Moraes. É o jogo de xadrez que caracteriza essa crise — cada lance cria espaço para o contra-ataque.
A oposição lê a situação de forma oposta. O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) vê no afastamento de Andrei a confirmação de que Lula aparelhou a PF para perseguir adversários. Argumenta que Andrei era indicação do presidente, o que agora se volta contra o governo. É a narrativa que alimenta a polarização.
O que está em jogo é a credibilidade das instituições. Quando a PF, o STF e a Presidência entram em conflito aberto sobre investigações e afastamentos, o público tem dificuldade de saber quem agir movido por lei e quem age por poder. Isso corrói a confiança.
Em 2026, ano de eleições, esse ruído institucional não é menor. Pode influenciar narrativas de campanha, desgastar o governo e alimentar discursos sobre captura de órgãos públicos — independentemente de qual lado esteja certo.
Com informações de www1.folha.uol.com.br (fonte no link).