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Coluna de Opinião

PEC do fim da escala 6x1: votação adiada, mas batalha política aquecida

Proposta aprovada em comissão é adiada para outubro, revelando divisão entre governo e oposição sobre custos, timing eleitoral e viabilidade

Otávio Bittencourt ·2 min
PEC do fim da escala 6x1: votação adiada, mas batalha política aquecida
Foto: estadao.com.br

A PEC que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada para 40 horas foi aprovada pela CCJ do Senado, mas sua votação em plenário foi adiada para depois das eleições. A decisão expõe cálculos políticos delicados e desacordos reais sobre impacto econômico.

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou na quarta-feira, 2, a PEC que acaba com a escala 6x1 — modelo em que trabalhadores fazem seis dias seguidos de trabalho e descansam um. A proposta reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e é bandeira eleitoral do presidente Lula (PT). Mas a votação no plenário foi adiada para outubro, após as eleições municipais.

O adiamento revela um dilema do governo: apesar de 78% da população apoiar o fim da escala 6x1, a base parlamentar de Lula no Senado é frágil demais. O líder governista Randolfe Rodrigues (PT-AP) indicou que havia apenas 53 a 54 votos favoráveis garantidos — margem insuficiente para uma PEC, que exige no mínimo 49 dos 81 senadores em dois turnos de votação. A oposição, liderada por Rogério Marinho (PL-RN), dispara críticas: acusa o governo de usar a proposta como ferramenta de reconexão eleitoral, alegando que o desgaste político é grande e as perdas já estão na porta.

Além da mira política, existe uma questão econômica real em jogo. Críticos alertam que a mudança elevaria custos para empresas, com impacto especialmente sentido em setores como comércio e serviços — setores que empregam massivamente na base da pirâmide. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), já antecipou sua posição: votará a favor, mas somente após as eleições, sinalizando que o timing atual é arriscado demais até mesmo para aliados do governo.

O que está em jogo, portanto, vai além da jornada de trabalho. É um teste de força parlamentar, um cálculo de custo-benefício político-eleitoral e uma disputa sobre quem paga a conta de uma mudança social esperada por milhões. O adiamento não resolve o impasse; apenas o posterga para um momento que o governo espera ser mais favorável.

Com informações de www.estadao.com.br (fonte no link).

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