Na véspera do julgamento no STF, senadores que defendiam Moraes mudam de lado e aderem ao impeachment
Chico Rodrigues, Leila Barros e Flávio Arns passaram a apoiar o afastamento do ministro; parlamentares do PT que o defenderam em 2024 agora preferem não se manifestar, a 20 dias do primeiro turno
A um dia da sessão extraordinária em que o Supremo Tribunal Federal decide se autoriza a apuração sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o pedido de impeachment protocolado no Senado ganhou adesões de senadores que até o ano passado se opunham à medida.
Segundo levantamento da Gazeta do Povo, os senadores Chico Rodrigues, Leila Barros e Flávio Arns passaram a apoiar a abertura do processo contra Moraes. Na direção oposta, pelo menos quatro parlamentares que se declararam contra o impeachment em 2024 — Beto Faro (PT-PA), Fabiano Contarato (PT-ES), Teresa Leitão (PT-PE) e Marcelo Castro (MDB-PI) — agora preferem não se manifestar sobre o tema. Chico Rodrigues afirmou que a gravidade das revelações exigiu “coragem cívica” para assinar o pedido.
O gatilho da virada foi o relatório da Polícia Federal entregue ao Supremo no início de setembro, que trouxe mensagens trocadas entre o ministro e Vorcaro e negócios envolvendo o escritório de advocacia da mulher do magistrado — a Gazeta do Povo aponta contrato de R$ 131 milhões.
O pedido mais recente foi protocolado em 1º de setembro por nove senadores da oposição: Alessandro Vieira (MDB-SE), Carlos Viana (PSD-MG), Cleitinho (Republicanos-MG), Damares Alves (Republicanos-DF), Esperidião Amin (PP-SC), Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Izalci Lucas (PL-DF), Luis Carlos Heinze (PP-RS) e Magno Malta (PL-ES), conforme registro oficial da Agência Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, que é contrário ao afastamento, afirmou existirem 109 pedidos de impeachment contra dez ministros do Supremo em tramitação, 66 deles dirigidos a Moraes.
Pela Lei do Impeachment, de 1950, o recebimento da denúncia cabe à Mesa do Senado, e não ao presidente da Casa isoladamente. A eleição do primeiro turno está marcada para 4 de outubro.
Fonte: Gazeta do Povo.