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Coluna de Opinião

Lula e Alcolumbre: o jogo político por trás da reaproximação

Governo aposta em reconciliação para desbloquear pautas constitucionais antes das eleições

Otávio Bittencourt ·2 min
Lula e Alcolumbre: o jogo político por trás da reaproximação
Foto: Agência Senado (CC BY 2.0) — Wikimedia Commons; Lula e Alcolumbre em reunião na residência oficial do Senado, em abril de 2025; imagem de arquivo

Após quatro meses de ruptura, o presidente Lula e o senador Davi Alcolumbre se reaproximam. A jogada tem objetivo claro: destravar votações que exigem quórum qualificado no Congresso, como a PEC do escala 6×1. Mas há armadilhas técnicas e políticas no caminho.

O cenário é simples de entender: Constituição não muda com votos na internet. Para aprovar uma emenda constitucional é preciso de três quintos dos congressistas em plenário presencial — algo cada vez mais raro nas agendas de Brasília. Se Alcolumbre ficar adversário, pauta nenhuma que dependa dessa votação sai do papel antes de outubro. Se ele voltar ao time de Lula, as coisas mudam.

O rompimento teve data: abril, quando o Senado rejeitou o indicado de Lula para o Supremo Tribunal Federal. Alcolumbre foi peça-chave na articulação contra. Não era uma discordância discreta — foi uma derrota histórica. O jantar de terça-feira (4/8), com mediação de ministros do STF, sinaliza que ambos reconhecem que esse conflito custa caro demais aos dois lados.

O governo avalia que o clima melhorou. Mas isso não é garantia. A PEC do fim da escala 6×1, prioridade executiva, segue sem consenso garantido. As sessões presenciais do Congresso são raríssimas este ano — apenas este mês e no fim de agosto. Janelas fechadas não permitem votações de envergadura constitucional. É matemática política pura.

Há um segundo ato nessa história que merece atenção. O governo aproveitou a crise diplomática com os EUA para avançar o projeto das Terras Raras — um marco regulatório que beneficia minerais estratégicos brasileiros e reduz a exposição a fornecedores estrangeiros. Não era prioridade, virou. A movimentação mostra que Brasília está atenta à geopolítica, não apenas à política doméstica.

O cálculo final é calendário: antes das eleições gerais de outubro, o governo quer colher o que for possível. Sem Alcolumbre na sala, pautas maiores murcham. Com ele, há chance. Mas reaproximação política não é reconciliação garantida — é apenas a abertura de uma porta que estava trancada.

Fontes: Poder360 · Revista Oeste · Gazeta do Povo.

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