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Coluna de Opinião

Lula entra em 2026 com agenda eleitoral travada no Congresso

Governo priorizou fiscal sobre popular; segurança pública e benefícios sociais ficam para o primeiro semestre

Otávio Bittencourt ·3 min
Lula entra em 2026 com agenda eleitoral travada no Congresso
Foto: www1.folha.uol.com.br

O governo fechou 2025 aprovando medidas de austeridade fiscal, mas deixou na gaveta projetos de impacto eleitoral que beneficiariam milhões de brasileiros. Em ano de eleição, o Congresso fica mais refém da campanha.

O cálculo político do governo Lula em 2025 foi claro: fiscal antes de popular. Na reta final do ano legislativo, a prioridade foi fechar o Orçamento — aprovando brechas fiscais, regulamentação da reforma tributária e cortes de gastos. Isso abriu espaço junto ao Congresso, mas esvaziou a agenda de medidas com apelo eleitoral direto. O trade-off é típico de ano legislativo apertado: você gasta capital político com o que é necessário (contas públicas), não com o que é desejável (ganhar votos).

Nem tudo foi perdido. O governo conseguiu aprovar a tarifa social de energia elétrica e avançou no Imposto de Renda — projetos que afetam cerca de 15 milhões de brasileiros cada um, com custo político muito alto para deputados votarem contra em ano eleitoral. Mas a lista de pendências é robusta: tarifa zero no transporte, fim da escala 6x1, regulamentação de trabalhadores de app e o programa Gás do Povo. Tudo adiado para o primeiro semestre de 2026, quando o calendário eleitoral já estará sugando energia legislativa.

A segurança pública é a exceção que confirma a regra. O governo pretende abrir 2026 com a PEC da Segurança Pública e o projeto Antifacção — temas que ocupam o topo das preocupações do eleitor. É terreno disputado: a direita historicamente domina essa pauta, e o PT busca recuperar credibilidade. Mas o ambiente será hostil: em ano eleitoral, o centrão tem menos razão para apoiar a agenda do Planalto.

José Guimarães, líder do governo na Câmara, afirma que as relações terminaram 2025 "muito mais tranquilas" que nos cinco meses anteriores, com perspectiva de uma base com ao menos 257 votos. É um sinal de trégua, não de força. O próprio governo reconhece que não mandará ao Congresso senão projetos "extremamente necessários" — admissão de que o manejo legislativo em 2026 será limitado pelo ruído eleitoral.

O cenário revela a dinâmica real do poder no Brasil pré-eleitoral: há um trade-off entre governar e campanha. Lula conquistou seu espaço fiscal, mas pagou o preço de adiar entregas populares que seus aliados esperavam. Se essas medidas não passarem no primeiro semestre — e as chances diminuem conforme a campanha se aquece — o governo chega a outubro sem a vitrine que planejava.

Com informações de www1.folha.uol.com.br (fonte no link).

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