Lula na encruzilhada: Japão, tarifas americanas e o Mercosul em disputa
Encontro à margem do G7 pode abrir negociações comerciais, mas governo tenta também conter pressão de Washington
O presidente Lula se encontrará com a primeira-ministra do Japão na próxima semana para discutir um acordo comercial do Mercosul com o país asiático — movimento que sinaliza tentativa de diversificação de parcerias enquanto o Brasil enfrenta ameaça de novas tarifas americanas.
A reunião entre Lula e Sanae Takaichi, à margem da cúpula do G7, não é apenas um encontro bilateral rotineiro. Ela acontece em momento crítico: o governo americano anunciou em maio duas tarifas contra o Brasil — uma de 12,5% por suposta prática comercial desleal e outra de 25% por trabalho forçado. Essa pressão comercial dos EUA é a ponta de um iceberg maior que marcou 2025, quando Trump impôs aumentos tarifários significativos contra diversos países.
O acordo Japão-Mercosul representaria um gancho estratégico para o Brasil. Não só abriria acesso ao mercado asiático para produtos como carne, soja e outros itens do agronegócio paranaense e brasileiro, como também reforçaria a posição de Lula como defensor do multilateralismo — uma bandeira que ele vem levantando junto a países como a China, que também sofrem com tarifas americanas. A mensagem é clara: o Brasil não está isolado, nem depende exclusivamente de Washington.
Por enquanto, as negociações estão ainda no estágio inicial. Segundo membros do Itamaraty, existe disposição japonesa em avançar, mas o cronograma e os detalhes permanecem em aberto. O que importa agora é que Lula use a cúpula do G7 não apenas para tentar desativar as tarifas americanas em conversas bilaterais, mas também para demonstrar que o Brasil tem alternativas comerciais — e que está construindo uma rede de alianças que vai além da relação com os EUA.
O contexto paranaense aqui é direto: o estado é um dos maiores exportadores de grãos e proteína animal do país. Tarifas americanas reduzem competitividade; acordos como o do Japão abrem novos mercados e reduzem dependência de um único parceiro comercial. Para o agronegócio paranaense, isso importa bastante.
A estratégia de Lula passa por reposicionar o Brasil como defensor da soberania nacional e das regras do comércio internacional — aquelas que Washington está sistematicamente ignorando sob Trump. Pode não resolver a questão das tarifas americanas de imediato, mas constrói espaço diplomático para negociar e para manter as portas abertas onde mais importa: nos mercados que ainda pagam preço justo pelos produtos brasileiros.
Com informações de www1.folha.uol.com.br (fonte no link).