Lula negocia com Alcolumbre para destravar agenda no Senado
Governo enfrenta relógio eleitoral e busca acelerar votações de PECs e projeto de minerais críticos
O presidente Lula se reuniu com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para tentar destravar matérias que tramitam na Casa. A estratégia inclui pressão de movimentos sociais e corrida contra o calendário eleitoral de outubro.
A pauta do governo no Senado enfrenta um gargalo político e institucional. Projetos estratégicos — entre eles PECs (Propostas de Emenda à Constituição) e o Projeto de Lei das Terras Raras, aprovado em maio — aguardam decisão de Alcolumbre para entrar em votação. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) ainda analisa algumas propostas, criando um efeito cascata que atrasa o cronograma do Palácio do Planalto.
O tabuleiro político não facilita. A relação entre Executivo e Senado se desgastou em abril, quando o plenário rejeitou a indicação de Lula para o STF — movimento em que Alcolumbre atuou na articulação contrária. A reunião recente sinaliza tentativa de reconstruir diálogo, mas os números são desafiadores: votações por quórum qualificado (três quintos) exigem apoio amplo, recurso escasso em um Senado fragmentado.
O lado prático complica tudo. O regime semipresencial de votações pelo aplicativo Infoleg reduz o número de sessões presenciais — justamente quando matérias complexas precisam de debate e consenso. Outubro aproxima-se e traz eleições municipais, que historicamente concentram atenção dos parlamentares em campanhas locais, esvaziando o plenário para votações nacionais.
O Projeto de Terras Raras ganha relevo geopolítico: regulamenta exploração de minerais críticos em meio a tensões diplomáticas Brasil-EUA. Sua aprovação sinaliza autonomia estratégica. Mas sem Alcolumbre destrancando a pauta, fica no papel. O governo mobiliza Guilherme Boulos junto a movimentos sociais e sindicatos para pressionar senadores — aposta em força externa quando a interna não flui.
O que está em jogo: se o governo não conseguir votar matérias de quórum qualificado agora, terá de esperar próximo semestre — quando a dinâmica pode ser ainda mais adversa. A negociação com Alcolumbre é, portanto, não apenas sobre agenda, mas sobre timing e poder de veto institucional.
Com informações do Diariogoianiense.