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Coluna de Opinião

Lula pressiona Senado para votar Redata e minerais críticos antes das eleições

Governo articula agenda legislativa em esforço concentrado de setembro; Redata ainda aguarda pauta do presidente Alcolumbre

Otávio Bittencourt ·3 min
Lula pressiona Senado para votar Redata e minerais críticos antes das eleições
Foto: eixos.com.br

O presidente Lula sinalizou que o programa Redata (estímulos a data centers com energia renovável) e o marco legal dos minerais críticos devem entrar na votação do Senado no esforço concentrado de 31 de agosto a 4 de setembro — a última rodada antes das eleições municipais.

O contexto é de agenda legislativa apertada e prioridades em competição. O Redata foi instituído por Medida Provisória em 2025, mas caducou em 25 de fevereiro sem votação no Senado. A Câmara aprovou a recriação do programa, mas o texto aguarda desde então uma decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para entrar em pauta. Paralelamente, o governo também articula votações sobre a PEC 6×1 (regime de trabalho), a PEC da Segurança Pública e o marco legal dos minerais críticos — cada uma com impacto econômico e político próprio.

O que significa essa movimentação: Lula busca transformar dias finais de agosto e primeiros de setembro em uma janela de votações que cristalize ganhos legislativos antes do recesso eleitoral e da campanha das eleições municipais intensificar-se. O Redata interessa ao governo como exemplo de política industrial (atração de investimentos em infraestrutura digital com energia limpa). Os minerais críticos têm ainda maior peso: competem por recursos estratégicos em contexto de transição energética global, e o tema já entrou na corrida eleitoral.

Há, porém, uma tensão interna: o Redata não constava sequer da pauta anunciada por Alcolumbre em 14 de agosto para o esforço concentrado. Lula agora o cita como prioridade em conversa com a imprensa, e tem reunião marcada com Alcolumbre para quarta-feira (26/8) — sinalizando que ainda há negociação sobre o que entra ou não na pauta final. Quanto aos minerais críticos, há disputas técnicas: o projeto original de Arnaldo Jardim (Cidadania/SP), já aprovado pela Câmara, compete com um substitutivo de Wilder Morais (PL/GO) que reduz o controle estatal sobre operações do setor privado.

O impacto prático é duplo. Para o governo, uma votação bem-sucedida dessa agenda antes das eleições funciona como vitória legislativa em ano eleitoral — demonstra governabilidade e capacidade de aprovar medidas econômicas. Para o Senado, a janela de esforço concentrado é finita e competida: cada votação consome tempo e capital político, então a seleção do que entra e do que fica de fora reflete hierarquias de poder entre governo e Casa legislativa. Lula e Alcolumbre negoceiam esse espaço.

A semana decisória será 31 de agosto a 4 de setembro — praticamente a última oportunidade antes do calendário eleitoral absorver atenções. Nada está garantido ainda, e a pauta final dependerá da reunião de quarta e do consenso que Alcolumbre conseguir montar entre as bancadas.

Com informações de eixos.com.br (fonte no link).

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